Dobra número de desabrigados em Gaza, diz ONU

Crianças desabrigadas na Palestina | Crédito: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Agentes humanitários afirmam que mais de 40 mil pessoas estão sendo mantidas em 34 abrigos da ONU

O número de desabrigados em Gaza por causa do conflito com Israel praticamente dobrou nesta sexta-feira, informou a ONU.

Agentes humanitários afirmaram que mais de 40 mil pessoas estão sendo mantidas em 34 abrigos das Nações Unidas.

O quadro se agravou depois que Israel começou a ofensiva terrestre em Gaza, com o objetivo de capturar militantes do Hamas que estariam lançando foguetes contra o país.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta sexta-feira uma "expansão significativa" da operação por terra.

O Hamas, o grupo palestino que controla Gaza, afirmou, por outro lado, que Israel "pagará um alto preço" pela invasão.

Milhares de palestinos já foram obrigados a deixar suas casas em Gaza depois de dez dias da retomada de confrontos entre o Hamas e forças de segurança de Israel.

Mas os números catapultaram depois de as tropas israelenses cruzarem a fronteira com tanques, helicópteros e artilharia pesada na noite de quinta-feira.

ONU

Segundo as Nações Unidas, o número de pessoas buscando refúgio em abrigos da ONU aumentou 82%, passando de 22 mil para 40 mil, apenas na sexta-feira, afirmou Christopher Gunness, um porta-voz da UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente).

"Nós lançamos um apelo de US$ 60 milhões (R$ 130 milhões) para custear o nosso trabalho de emergência", acrescentou Gunness. "O objetivo é subsidiar os mantimentos para os desabrigados nos próximos 30 dias e outras provisões de emergência para os seis meses seguintes".

A correspondente da BBC em Gaza Yolanda Knell afirmou que o Exército israelense intensificou os ataques no norte, leste e sul do território nesta sexta-feira.

Enquanto isso, as sirenes soaram em cidades no sul de Israel avisando sobre a continuidade do lançamento de foguetes de Gaza.

Pelo menos 24 palestinos foram mortos desde que a ofensiva terrestre começou, afirmou o ministro da Saúde de Gaza. Do lado israelense, um soldado morreu.

Entre os mortos do lado palestino, estão três crianças. Elas foram mortas quando um tanque israelense abriu fogo no norte de Gaza, acrescentaram os médicos.

Segundo autoridades do território, 271 palestinos – três quartos deles civis – morreram desde a ampliação da ofensiva israelense no último dia 8 de julho.

Um civil israelense foi morto por morteiros e vários israelenses foram feridos.

Túneis

Netanyahu disse que a operação por terra tem como alvo o sistema de túneis do Hamas, que as Forças Armadas de Israel não podem monitorar "apenas do ar".

"Devemos nos preparar para a possibilidade de uma ampliação significativa da operação terrestre, e nossos militares estão se preparando de igual maneira", afirmou ele, em uma sessão de um gabinete especial transmitida pela TV nesta sexta-feira.

Netanyahu afirmou ter dado ordens às tropas para avançar após as tentativas de um cessar-fogo com o Hamas fracassarem.

Os militantes do grupo palestino vêm usando túneis para realizar ataques, alguns dos quais foram frustrados por Israel.

Na manhã da ofensiva terrestre, os militares israelenses interceptaram 13 militantes que invadiram o território de Israel por meio de um túnel. Segundo a inteligência do país, eles planejavam atacar um kibutz.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, fez duras críticas à ofensiva israelense. "Netanyahu está matando as nossas crianças e pagará o preço por isso".

Israel alega que realizou 1.960 ataques à Gaza desde o dia 8 de julho, enquanto militantes palestinos lançaram 1.380 foguetes em direção ao país. Segundo o governo israelense, 50 foguetes foram lançados contra Israel desde que a operação terrestre começou.

As Nações Unidas estimam que pelo menos 1.370 casas foram destruídas em Gaza e mais de 18 mil pessoas estão desabrigadas por causa da escalada recente dos confrontos.

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