Obama diz que desastre foi 'alerta' e pede investigação 'com credibilidade'

Barack Obama (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Barack Obama voltou a criticar a Rússia por seu papel no conflito no leste da Ucrânia

O presidente americano, Barack Obama, disse nesta sexta-feira que a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines é um "sinal de alerta para a Europa e para o mundo" da escalada de violência no leste da Ucrânia e exigiu que seja feita uma investigação "com credibilidade" sobre as causas do desastre.

Obama disse ainda que há indicações de que o Boieng 777 tenha sido derrubado por rebeldes separatistas, que há meses estão em conflito na região com o governo central em Kiev. "Evidências indicam que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar disparado de uma área controlada por separatistas apoiados pela Rússia na Ucrânia."

Ele afirmou que os separatistas vêm recebendo um apoio constante de Moscou, que inclui armamentos anti-aéreos, mas ainda é cedo para dizer quais eram as intenções de quem lançou o míssil.

"Um grupo de separatistas não pode derrubar aviões militares or jatos se não tiverem equipamentos sofisticados e treinamento - e isso eles estão recebendo da Rússia"

"Faremos uma investigação para chegar à verdade dos fatos. Haverá consequências com o agravamento desse conflito e elas não serão apenas locais ou restritas (à região do conflito)", afirmou Obama. "Os ucranianos e separatistas precisam cessar-fogo."

Obama ainda aproveitou a oportunidade para novamente criticar a Rússia, que é alvo de um número crescente de sanções diplomáticas e econômicas por seu papel no conflito no leste da Ucrânia.

"Não temos tempo a perder. São necessárias diferentes medidas por parte da Rússia para mostrar que está disposta a trabalhar com o governo ucraniano por um cessar-fogo e a paz na Ucrânia."

Reunião de emergência

Direito de imagem AFP
Image caption Trinta investigadores internacionais chegaram ao local do desastre nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, 30 investigadores internacionais chegaram à vila de Grobovo, local da queda do avião com 298 pessoas a bordo, com a permissão dos rebeldes.

Ao mesmo tempo, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência e pediu para uma investigação "completa e independente".

A embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse que o avião "foi provavelmente derrubado por um míssil lançado em terra" e que a ONU tem "a obrigação de determinar por que ele caiu".

O voo MH17 decolou de Amsterdã, na Holanda, às 12h15 desta quinta feira no horário local (7h15 no horário de Brasília) rumo a Kuala Lumpur, capital da Malásia, com pelo menos 280 passageiros e 15 tripulantes malaios a bordo.

Seu pouso estava previsto para as 6h10 de sexta-feira no horário de Kuala Lumpur (19h10 no horário de Brasília).

Mas o controle de tráfego aéreo da Ucrânia perdeu contato com o Boeing 777 da Malaysia Airlines três horas depois da decolagem, quando sobrevoava uma área a 50km da fronteira com a Rússia.

Os destroços foram encontrados espalhados em um raio de 15 km da vila de Grobovo, que é controlada pelos separatistas.

Ao menos cem corpos já foram achados no local, segundo relatos dos membros do serviço de emergência ucranianos dado à Reuters. Até o momento, não há relatos de sobreviventes.

Notícias relacionadas