Proibição de ato pró-palestinos em Paris causa polêmica

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Image caption Protestos são frequentes em Paris, como este em 2005: a proibição de ato pró-palestinos causou polêmica

A proibição de uma manifestação pró-palestinos em Paris, prevista para este sábado, está causando polêmica no país. O evento foi cancelado pela secretaria de Segurança Pública da capital sob orientação do governo francês.

"Não deve ocorrer importação do conflito (israelo-palestino) na França. Não pode haver manifestações com possíveis grupos adversários e que criem riscos à ordem pública", declarou na sexta-feira o presidente François Hollande, durante visita ao Niger, para justificar a proibição.

Na noite de sexta-feira, foi a vez da Justiça francesa confirmar a proibição do evento decretada pelas autoridades policiais da capital. O ato é decorrente dos atuais conflitos entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza.

Apesar da proibição, os organizadores decidiram manter o evento. Segundo a rádio France Info, entre 1 e 2 mil pessoas se reuniram no bairro de Barbès, bairro de população majoritariamente árabe em Paris, com cartazes e gritos de "Israel assassino, Hollande cúmplice". O clima era tenso, diz a rádio France Info.

Hollande disse neste sábado que "as pessoas que querem se manifestar a qualquer preço assumirão as consequências".

Para as autoridades francesas, há riscos de violências em razão de confrontos com a polícia já ocorridos em outra manifestação de apoio à Palestina (e contra Israel) no domingo passado, em que ocorreram tentativas de invasão de duas sinagogas na capital.

"A invasão de sinagogas é algo inadmissível. Não aceito que isso ocorra de novo e não quero correr o risco de que franceses, de qualquer religião, fiquem expostos a violências", disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.

"Há riscos de confrontos. Cabe ao governo evitar isso. As condições não estão reunidas para garantir a segurança dos participantes e de pessoas que estiverem em sinagogas e seus arredores", afirmou Cazeneuve à rádio Europe 1.

A França reúne a maior comunidade muçulmana da Europa, estimada em mais de 6 milhões de pessoas.

Os organizadores afirmam que vão recorrer ao Conselho de Estado, a mais alta jurisdição administrativa da França.

Críticas

Até mesmo deputados socialistas, do governo, criticaram a proibição da passeata em Paris.

"Recusamos a decisão às pressas do ministério do Interior e pedimos ao governo francês para anular rapidamente a proibição da manifestação", afirmaram seis deputados socialistas em um comunicado.

Partidos políticos de extrema esquerda, como o Novo Partido Anticapitalista, se dizem "indignados", com a proibição da passeata pró-Palestina.

A Liga dos Direitos Humanos criticou um "entrave à liberdade constitucional e uma negação da realidade".

"Não adianta nada abafar o sentimento de revolta que provoca a intervenção militar israelense em Gaza, a não ser que o governo queira reforçar a ideia de que escolheu o seu campo nesse conflito", diz a associação em um comunicado.

Paris é provavelmente uma das cidades do mundo onde mais ocorrem manifestações. São mais de 3 mil por ano, segundo autoridades policiais, quase uma dezena por dia. Os temas são os mais variados e algumas reúnem apenas pequenos grupos.

Outras manifestações pró-palestinas estão previstas neste sábado na França. O ministério do Interior pediu às autoridades policiais das cidades para analisar "caso por caso".

Uma manifestação pró-palestina em Nice, no sul da França, prevista neste sábado, também foi cancelada. O evento foi organizado pela internet e a polícia justificou a decisão alegando que "não é possível identificar os organizadores".

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