Após míssil, empresas suspendem voos ao principal aeroporto de Israel

Aeroporto de Ben Gurion, em Tel Aviv (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Duas pessoas ficaram feridas em disparo de foguete que caiu perto do principal aeroporto de Tel Aviv

Companhias aéreas americanas e europeias suspenderam voos ao aeroporto israelense de Ben Gurion, em Tel Aviv, depois de um míssil disparado desde Gaza ter caído a 1,6 km do local. Duas pessoas ficaram feridas.

A Administração Federal de Aviação dos EUA ordenou que três empresas que voam a Israel - Delta, United e US Airways - suspendam seus voos por 24 horas, e a agência europeia de aviação "recomendou fortemente" que empresas evitem o aeroporto de Tel Aviv.

As companhias europeias Lufthansa, KLM e Air France suspenderam seus voos ao local.

A medida ocorre em meio ao recrudescimento do confronto entre Israel e o grupo Hamas, na Faixa de Gaza, e também a debates internacionais a respeito de voos civis sobre áreas de conflito.

O Ministério de Transporte de Israel pediu que as companhias voltassem atrás na decisão, alegando que o aeroporto é "protegido" e "seguro para pousos e decolagens".

"Não há motivo qualquer para que empresas americanas deixem de voar para cá e deem um prêmio aos terroristas", disse o ministério em comunicado.

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, pediu ajuda diretamente ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, para que a suspensão das empresas americanas seja levantada.

A Delta afirma ter desviado a Paris um voo que partiu de Nova York e cujo destino final era Tel Aviv. Tanto a empresa quanto a United disseram que as operações ao Ben Gurion estão suspensas no futuro próximo.

Já a Air France afirmou que um voo a Tel Aviv previsto para quarta-feira foi mantido.

A British Airways informou no Twitter que "está monitorando de perto a situação", mas que os voos "no momento estão operando dentro do planejado".

O episódio ocorre menos de uma semana depois de Israel ter iniciado sua operação terrestre em Gaza e num momento em que companhias aéreas ao redor do mundo repensam suas rotas sobre áreas de conflito, como resposta à queda do avião da Malaysia Airlines no conflagrado leste da Ucrânia.

Gaza

Também nesta terça-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu um cessar-fogo entre Israel e palestinos e um início de diálogo para pôr fim ao conflito em Gaza.

Em uma coletiva conjunta com Binyamin Netanyahu, Ban afirmou que "a ação militar não vai aumentar a segurança de Israel no longo prazo". Aos palestinos, ele disse que é preciso seguir uma política de "não-violência, reconhecimento de Israel e respeito a acordos prévios".

Mais de 600 palestinos (em sua maioria civis) e 30 israelenses (sendo dois civis e 28 soldados) foram mortos nos últimos 14 dias de enfrentamentos, segundo cifras oficiais. O lado palestino tem também 3,6 mil feridos.

Em discurso no Cairo, o secretário John Kerry disse que um plano prévio mediado pelo Egito deve servir de base para um cessar-fogo.

Kerry disse que os Estados Unidos estão preocupados com a quantidade de mortos do lado palestino, mas afirmou apoiar operações militares "apropriadas e legítimas" por parte de Israel.

Ele agregou que os EUA enviarão US$ 47 milhões em ajuda a Gaza, para "aliviar a crise humanitária imediata".

A agência da ONU em Gaza disse que uma de suas escolas, onde cerca de 300 pessoas estavam abrigadas, foi atingida por artilharia israelense na terça-feira. Segundo o organismo, 43% de Gaza foi afetada por desocupações ou declaradas zonas de perigo por conta da ofensiva israelense.

A repórter da BBC na Cidade de Gaza Yolande Knell diz que era possível ver partes de corpos humanos ao lado de um edifício residencial destruído por bombardeios. Duas famílias - 11 pessoas no total - foram mortas.

Israel lançou a ofensiva aérea e terrestre em resposta ao disparo de foguetes do grupo palestino Hamas sobre cidades israelenses. O objetivo, segundo Israel, é destruir a estrutura e os túneis usados pelo Hamas para realizar os ataques.

Os palestinos, por sua vez, pedem o alívio do bloqueio à entrada de bens e combustível em Gaza.

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