Líder nega que rebeldes tenham míssil que abateu MH17

  • 24 julho 2014
Alexander Borodai em entrevista à BBC
Image caption Borodai afirmou que evidências de que rebeldes têm mísseis que derrubaram avião são 'falsas'

O líder rebelde pró-Rússia Alexander Borodai, autoproclamado primeiro-ministro da República Popular de Donetsk (RPD), no leste da Ucrânia, afirmou em entrevista exclusiva à BBC que suas forças não têm os mísseis Buk, que teriam derrubado o voo MH17, da Malaysia Airlines, na semana passada.

Borodai chamou de "falsas" as evidências em contrário. Em outra entrevista, um comandante militar rebelde afirmou que os combatentes pró-Rússia tinham o armamento.

Todas as 298 pessoas a bordo do voo MH17 morreram na queda do avião, supostamente atingido por um míssil Buk no leste da Ucrânia no dia 17 de julho.

Os rebeldes pró-Russia do leste da Ucrânia vêm sendo apontados como responsáveis pelo incidente. Autoridades ucranianas também acusam os rebeldes de derrubar dois aviões militares no dia anterior.

A Holanda, país da maioria das vítimas, recebeu os primeiros corpos repatriados na quarta-feira. Mais corpos são esperados para esta quinta-feira.

Investigadores britânicos devem começar a analisar, a pedido das autoridades holandesas, o conteúdo das caixas-pretas do avião da Malaysia Airilines.

Segundo fontes do governo britânico, há indícios de que as pistas foram alteradas no local da queda do avião. Isso teria incluído a mudança de corpos de lugar e a inclusão de partes de outros aviões em meio aos destroços.

A Agência Holandesa de Segurança, que coordena as investigações, diz que apesar dos danos às caixas-pretas, não há evidência de que o gravador de diálogos a bordo tenha sido alterado.

'Filme de terror'

Durante a entrevista ao correspondente da BBC Gabriel Gatehouse, em Donetsk, Borodai rejeitou as acusações de que seus homens tivessem negligenciado os corpos.

Segundo ele, os observadores internacionais pediram que os corpos fossem deixados para os especialistas. "Esperamos um dia. Esperamos um segundo dia, um terceiro dia.. Bom, não podíamos deixar os corpos por muito mais tempo, com um calor de 30 graus, seria absurdo. É simplesmente desumano. É uma cena de filme de terror", disse.

Um porta-voz dos observadores, Michael Bociurkiw, negou o relato de Borodai. "Isso não é consistente com nosso mandato, dizer para as pessoas o que fazer. Estamos aqui para monitorar, observar e reportar", afirmou.

Image caption Fontes de inteligência s ocidentais afirmam que os mísseis Buk, de fabricação russa, derrubaram o voo MH17

Borodai também negou categoricamente a presença do sistema de mísseis SA-11 Buk, de fabricação russia, na região da queda do avião. Fontes de inteligência ocidentais dizem que esse armamento foi usado para derrubar o avião.

"Não, não recebemos um Buk. Não havia Buks na área", disse ele.

O líder rebelde de Donetsk inicialmente negou conhecimento de imagens que supostamente mostrariam a presença de um lançador de mísseis Buk na cidade de Snezhnoe, na região. Depois, disse que as fotografias eram falsas.

Os comentários de Borodai foram feitos no mesmo dia em que Alexander Khodakovsky, comandante do batalhão rebelde de Vostok, disse ter conhecimento de que um lançador de mísseis Buk havia sido enviado da região vizinha de Luhansk para Snezhnoe.

"Eu sei sobre esse Buk. Ouvi falar disso. Acho que eles (os rebeldes locais) mandaram de volta... Provavelmente mandaram de volta para eliminar a prova de sua presença", disse Khodakovsky em entrevista à agência de notícias Reuters.