ONU acusa Israel de ignorar alertas e atacar escola com refugiados em Gaza

  • 30 julho 2014
Criança ferida em bombardeio à escola da ONU. Crédito: AFP Image copyright AFP
Image caption Criança ferida em bombardeio à escola com refugiados recebe tratamento

A ONU acusou Israel de ignorar alertas e atacar uma escola que abrigava cerca de 3 mil palestinos refugiados nesta quarta-feira.

O porta-voz da agência da ONU para assistência aos refugiados (UNRWA, na sigla em inglês), Chris Gunness, disse que o ataque, que deixou pelo menos 15 mortos, foi uma "vergonha universal".

Segundo ele, Israel foi informado 17 vezes que a escola abrigava civis refugiados - a última delas, horas antes do ataque.

À BBC, outro porta-voz da agência, Bob Turner, disse acreditar "com confiança" que o incidente foi causado por artilharia israelense.

As Forças Israelenses disseram que estão investigando o incidente e afirmaram que os soldados retribuíram os ataques de militantes que lançaram foguetes "das proximidades da escola".

A escola Abu Hussein, administrada pela ONU, fica no campo de refugiados de Jabaliya. Segundo Bob Turner, a escola foi atingida diversas vezes sem aviso prévio.

Ele apontou que a ONU havia deixado clara a localização da escola - em tese, uma área protegida dos ataques. Testemunhas afirmaram que os disparos destruíram paredes do edifício.

Um repórter da agência de notícias Associated Press disse que havia uma grande buraco redondo no teto de uma sala de aula e outro em um dos banheiros. Em outra sala de aula, o ataque destruiu a parede da frente, disse a AP.

O porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, Ashraf al-Qidra, acusou Israel de atacar a escola e deu um número de mortos bem maior que o relatado.

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Image caption Israel enviou tropas terrestres após 10 dias de ações aéreas para parar ataques com foguetes e por túneis
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Image caption Homem verifica estragos em escola atingida
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Image caption Palestinos choram morte de parentes em ataque a campo de refugiados

Confronto mais longo

Pelo menos 1,2 mil palestinos e 55 israelenses foram mortos desde que Israel deu início à ofensiva, em 8 de julho. A maior parte dos mortos palestinos é formada por civis.

Dois civis e 53 soldados israelenses foram mortos. Um operário tailandês também morreu em Israel.

Os ataques israelenses contra Gaza já estão na terceira semana - o mais longo confronto com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza. Em 2012, uma ofensiva durou oito dias e, em 2008, o conflito durou 22 dias.

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Israel afirma que a ofensiva é uma resposta a um aumento no lançamento de foguetes do território. O Hamas diz que não vai parar de lutar até que o bloqueio à região, iniciado em 2007 por Israel e Egito, seja levantado.

Israel tem acusado insistentemente o Hamas de usar escolas e áreas civis como bases para lançamento de foguetes.

Uma escola controlada pela ONU foi atingida na semana passada. Segundo os palestinos, 15 pessoas morreram no ataque. Mas o Exército de Israel descartou responsabilidade e disse que uma única bomba havia se desviado e caído em um pátio vazio. Segundo Israel, as forças israelenses haviam ficado sob o fogo dos militantes que usavam mísseis anti-tanques nas proximidades da escola.

Na terça-feira, a ONU revelou que um estoque de foguetes foi encontrado em uma escola em Gaza - o caso foi o terceiro do tipo.

Mas a organização se nega a dar a localização da escola ou dizer quem é responsável pelas armas, protestando contra o que chamou de "violação" de suas "premissas".

Bombardeios pesados

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Israel aumentou a intensidade de seus ataques na terça-feira e durante a noite de quarta-feira, dizendo que havia atingido diversos túneis escavados pelos integrantes do Hamas para atacar Israel. Militares israelenses disseram que foguetes continuam a ser disparados de Gaza.

Oficiais palestinos disseram que o porto de Gaza foi destruído na terça-feira, assim como a sua única usina de eletricidade.

Uma pesquisa de opinião feita pela Universidade de Israel entre os dias 14 e 23 de julho mostrou que, entre os judeus israelenses, 97% apoiam a operação militar em Gaza e 55% se dizem favoráveis a negociações de paz.

As facções palestinas Hamas, Fatah e a Jihad islâmica devem se encontram no Cairo para discutir um cessar-fogo.

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