Celebridades britânicas fazem apelo contra independência da Escócia

Artistas defendem "Não" em referendo escocês Direito de imagem

Cerca de 200 personalidades, como os ingleses Mick Jagger e Judi Dench, assinaram uma carta pedindo à Escócia para votar "não" no referendo sobre a independência do país em relação ao resto do Reino Unido.

A lista foi criada pelo Let's Stay Together (Vamos continuar juntos, em tradução livre), grupo de ativistas que defende o voto pela não independência na consulta popular do dia 18 de setembro, quando os eleitores da Escócia irão às urnas. Na data, eles deverão responder "sim" ou "não" à pergunta: "Você quer que a Escócia seja um país independente?".

Nesta quinta-feira, o historiador Dan Neve apresentou a carta assinada pelas personalidades em um evento em Londres. Entre os famosos britânicos que assinaram o documento estão também o físico Stephen Hawking, a atriz Helena Bonham Carter e o cantor Sting.

Na carta, o grupo diz aos eleitores da Escócia "o quanto valorizamos nossos laços de cidadania com vocês".

Entre os defensores do "não" há também escoceses famosos, como o ator escocês-americano John Barrowman, a autodeclarada escocesa escritora JK Rowling, autora de Harry Potter, e a cantora Susan Boyle, que deixou sua marca no programa de TV British Got Talent. Rowling doou £ 1 milhão (cerca de R$ 3,8 milhões) a outro grupo ativista que defende o "não", o Better Together (Melhor Juntos, em tradução livre).

Boyle disse ao jornal escocês The Scottish Sun: "Eu sou uma orgulhosa e patriota escocesa, apaixonada pela minha herança e meu país, mas eu não sou uma nacionalista".

Eles dizem 'sim'

Entre os escoceses que apoiam a independência, estão Sir Sean Connery, o também ator Brian Cox e romancista Irvine Welsh.

A estrela de James Bond é um dos principais apoiadores do Partido Nacional Escocês e está convencido de que verá a Escócia independente. "A campanha do 'sim' está centrada em uma visão positiva para a Escócia, enraizada na inclusão, na igualdade e no valor democrático central de que os escoceses são os melhores guardiões de seu próprio futuro", diz.

Após o manifesto das celebridades, um porta-voz de um movimento que defende a independência da Escócia disse: "É ótimo saber que a Escócia tem muitos amigos e admiradores e sabemos que todos eles vão continuar a ser nossos amigos e admiradores depois que votarmos 'sim' no dia 18 de setembro".

O governo escocês, liderado pelo primeiro-ministro Alex Salmond, disse que os 300 anos de união não servem mais e defende que se a Escócia for independente, com sua riqueza petrolífera, seria um dos países mais ricos do mundo. Ele diz que é o momento para o país assumir o controle de seu próprio destino, ser livre do que ele descreve como os "grilhões" de um parlamento do Reino Unido, que tem sede em Londres.

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Image caption Ganhos com petróleo estão entre discordâncias que geram movimento de independência

No lado oposto do debate, o governo do Reino Unido, liderado pelo primeiro-ministro David Cameron, diz que a Grã-Bretanha é umas das união sociais e políticas mais bem sucedidas do mundo.

Questões relacionadas aos ganhos com petróleo estão entre as principais divergências sobre a permanência da Escócia no Reino Unido.

As reservas de petróleo e gás do Mar do Norte (ou, mais precisamente, a carga tributária que a Escócia divide) são vitais para entender que o governo escocês defenda a independência do país.

Alex Salmond afirma que, se guardassem um décimo da receita proveniente do petróleo - cerca de £ 1 bilhão por ano (cerca de R$ 3,8 bilhões) -, poderiam formar um fundo semelhante ao utilizado na Noruega, criando um pote de riqueza soberana de £ 30 bilhões (cerca de R$ 114 blilhões) ao longo de uma geração.

Opinião pública

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Image caption Opinião pública sobre referendo ainda é incerta, mas favorável ao "Não"; número de eleitores do "Sim" cresce

Ainda é difícil dizer a opinião dos escoceses sobre o referendo. Pesquisas indicam que a maioria das pessoas não quer a independência, mas os ativistas do "sim" dizem que a maré está mudando de direção.

O especialista em pesquisas, John Curtice, disse que, durante muito tempo, o apoio à independência oscilou entre cerca de um quarto e um terço.

O professor de política da Universidade de Strathclyde, em Glasgow, diz agora que a média voto "sim" pode ter subido para mais de 40%, mas adverte que ainda há "incerteza considerável".