Ucrânia diz ter bombardeado coluna de blindados vinda da Rússia

Comboio russo aguarda liberação para entrar em território ucraniano (Foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Autoridades ucranianas dizem ter bombardeado blindados que tentavam entrar em seu território

A Ucrânia afirmou ter destruído parcialmente uma coluna de blindados que teria entrado em seu território a partir da Rússia. Enquanto isso, um polêmico comboio de ajuda humanitária russa aguarda na fronteira por permissão para entrar no país.

A Otan (aliança militar ocidental) afirmou que a coluna era uma "incursão militar" e a Grã-Bretanha convocou um diplomata russo para dar explicações.

O Ministério da Defesa russo negou que tal coluna tenha entrado na Ucrânia.

Enquanto isso, guardas de fronteira ucranianos estariam aguardando para fazer uma inspeção no comboio russo – que teria sido enviado para ajudar cidades na Ucrânia oriental dominadas por rebeldes pró-Rússia.

Reunião em Berlim

A suposta incursão de veículos militares russos na Ucrânia foi testemunhada na quinta-feira por dois jornalistas britânicos.

O correspondente da BBC em Moscou Daniel Sandford afirmou que o episódio é um lembrete da ajuda do Kremlin aos rebeldes no leste da Ucrânia.

Até agora não se sabe se as tropas que acompanhavam o comboio eram russas ou formadas por separatistas pró-Rússia.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko informou no site da Presidência que discutiu o incidente com o premiê ucraniano Davide Cameron.

Poroshenko disse que a informação é confiável e que os blindados foram eliminados pela artilharia ucraniana durante a noite.

A chancelaria britânica convocou o embaixador Alexander Yakovenko para prestar esclarecimentos.

O Ministério da Defesa da Rússia classificou a informação como “fantasia”.

Enquanto isso o chanceler ucraniano Pavlo Klimkin escreveu em uma mensagem de Twitter que encontraria o chanceler russo Sergei Lavrov em Berlim no domingo. Também participariam do encontro ministros de relações exteriores da França e da Alemanha. “Precisamos conversar”, disse Klimkin.

O secretário geral da ONU, Anders Fogh Rasmussen afirmou: “Estamos observando um fluxo constante de armas e combatentes da Rússia para o leste da Ucrânia. Isso é uma clara demonstração de envolvimento contínuo da Rússia nesta desestabilização”.

Mais tarde, chanceleres da União Europeia em um encontro em Bruxelas divulgaram um comunicado: “Qualquer ação militar unilateral da federação Russa na Ucrânia sob qualquer pretexto, incluindo o humanitário, será considerada pela União Europeia como uma violação flagrante da legislação internacional”.

O governo russo tem negado estar armando ou treinando diretamente os rebeldes, que deflagraram o conflito no leste da Ucrânia em abril quando tomaram o controle de várias cidades.

Caminhões vazios

No entanto, a Ucrânia expressou temer que o comboio de ajuda Rússia poderia carregar suprimentos militares para os rebeldes.

O Kremlen, por sua vez, divulgou uma declaração afirmando: “Voltamos nossa atenção para a intensificação acentuada das ações militares de forças ucranianas com o objetivo aparente de parar um comboio humanitário cuja passagem pela fronteira havia sido negociada com Kiev”.

Os guardas ucranianos estariam ainda aguardando documentos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para inspecionar o comboio de ajuda humanitária.

O correspondente da BBC Steve Rosenberg, que tem seguido o comboio, afirma que alguns dos caminhões foram abertos em frente a jornalistas na sexta-feira e que mais chamou a atenção foi como muitos deles estavam vazios.

Laurent Corbaz, chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para a Europa e Ásia Central afirmou que o acordo diz que os caminhões seriam inspecionados ainda na Rússia e depois teriam permissão para entrar na Ucrânia acompanhados pela entidade. Depois, poderiam descarregar em uma área próxima a Luhansk e voltar para a Rússia vazios.

O conflito no leste da Ucrânia, que resultou em mais de dois mil mortes, se intensificou nas últimas semanas. A violência começou quando rebeldes pró-Rússia capturaram prédios do governo e tentaram declarar independência.

A Ucrânia iniciou uma operação militar para retomar a região e intensificou suas atividades em junho.

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