Nigéria declara estado de emergência por epidemia de ebola

Ebola | Crédito: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Segundo OMS, vítimas do ebola já somam 961 pessoas no oeste da África

O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, declarou nesta sexta-feira estado de emergência por causa do surto de ebola que assola o país.

Jonathan também anunciou o repasse de mais de US$ 11 milhões (R$ 25 milhões) para ajudar a conter a epidemia na Nigéria.

A decisão ocorre depois que a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter dito que a propagação do vírus no oeste da África era um caso de "emergência de saúde internacional".

Guiné, Serra Leoa e Libéria também já declaram estado de emergência por causa da propagação do vírus.

A OMS diz que 961 pessoas já morreram por causa do ebola neste ano, dois deles na Nigéria.

Segundo a agência, o número total de casos já verificados da doença totaliza 1.779.

Por meio de um comunicado, Jonathan pediu aos nigerianos que relatem qualquer caso suspeito de ebola às autoridades de saúde mais próximas.

Ele também solicitou à população que não espalhe "informações falsas sobre a doença que possam levar a um pânico coletivo".

A Nigéria é o quarto país do oeste da África envolvido no surto do ebola. O surto na Nigéria começou quando um homem chegou à cidade de Lagos vindo de Togo, no dia 20 de julho. Ele tinha cidadania da Libéria e dos Estados Unidos.

Ele morreu cinco dias depois e oito pessoas que tiveram contato com ele foram mais tarde diagnosticadas com a doença. Uma delas, uma enfermeira, morreu na última terça-feira.

Nesta sexta-feira, autoridades de saúde dos Estados Unidos afirmaram que vão enviar mais funcionários e recursos para a Nigéria.

"Estamos começando a elevar nosso número de funcionários em Lagos", afirmou Tom Skinner, porta-voz do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

"Estamos realmente preocupados com a situação de Lagos e o potencial de propagação da doença ali, dado o fato de que a cidade – e a Nigéria por extensão – nunca tiveram contato com o ebola".

Multinacionais com escritórios na Nigéria têm tomado medidas de segurança. A maior fabricante de aço do mundo, a ArcelorMittal, afirmou que começou a evacuar alguns trabalhadores de minas de ferro na Libéria.

A OMS afirmou nesta sexta-feira que 68 novos casos e 29 mortes foram registrados no curso de dois dias nesta semana.

O saldo inclui 26 novos casos em Serra Leoa e 38 na Libéria, mas não houve novos casos na Guiné, onde a epidemia começou.

A agência da ONU disse que uma resposta coordenada era "essencial" para conter a propagação do vírus.

"As possíveis consequências de uma maior propagação internacional da doença são particularmente sérias devido à malignidade do ebola", informou a OMS após uma reunião nesta sexta-feira.

O vírus do ebola foi descoberto pela primeira vez na República Democrática do Congo em 1976. Especialistas afirmam que o surto é atípico porque começou na Guiné, país que nunca havia registrado casos da doença, e está se espalhando por zonas urbanas.

Dois cidadãos americanos foram infectados enquanto trabalhavam no oeste da África e estão sendo tratados em uma área reservada de um hospital em Atlanta, na Geórgia.

Um dos infectados, o médico Kent Brantly, disse por meio de um comunicado na sexta-feira que estava apresentando melhoras dia após dia. O marido da missionária Nancy Writebol afirmou que seu quadro também está evoluindo.

Ambos estão sendo tratados com uma nova droga experimental.

Notícias relacionadas