EUA lançam novos ataques contra rebeldes no Iraque

Iraque | Crédito: EPA Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ofensiva ocorreu no norte do país em cidade controlada por rebeldes curdos ligados ao Estado islâmico

Os Estados Unidos realizaram nesta sexta-feira uma segunda rodada de ataques contra militantes do Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, informou o Pentágono.

A ofensiva ocorreu em um local próximo à cidade de Irbil, que já havia sido alvo dos ataques americanos no início da manhã.

O grupo sunita EI (antigamente conhecido como Isis, na sigla em inglês) controla grandes porções do território do Iraque e da Síria.

Centenas de milhares de pessoas pertencentes a minorias étnicas no Iraque já deixaram suas casas por causa do avanço dos rebeldes islâmicos.

O Estado Islâmico controla a maior usina hidrelétrica do Iraque, fonte de água e eletricidade para grande parte do país.

Os ataques realizados pelos Estados Unidos são a primeira ofensiva militar americana desde a saída das tropas do Iraque em 2011.

Comboio

Na segunda rodada de ataques, drones americanos destruíram um lançador de mísseis e mataram um grupo de militantes, informou o Pentágono.

Cerca de uma hora depois, caças F/A-18 usaram bombas guiadas por laser para atingir um comboio de sete veículos do EI, afirmou o contra-almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono.

Mais cedo, duas bombas de 227 kg cada uma foram lançadas contra unidades de artilharia do EI, que estavam sendo usadas contra forças curdas. Os curdos defendiam o avanço dos militantes islâmicos contra Irbil.

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Marie Harf, porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos, afirmou à BBC que o objetivo imediato dos ataques era "evitar o avanço" do EI contra a cidade de maioria curda.

"Então a longo prazo queremos trabalhar junto às forças curdas para que elas possam se recuperar e lutar sozinhas contra essa ameaça", disse Harf.

"Não há uma solução militar dos EUA de longo prazo ali", acrescentou.

Já o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que o mundo precisa "acordar" para a ameaça do EI.

Ele disse que a "campanha de terror contra inocentes, incluindo minorias Yazidi e cristãs" revelou "sinais preocupantes de genocídio".

No início da semana, militantes do EI tomaram o controle da cidade de Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, provocando uma fuga em massa.

O avanço dos militantes também forçou centenas de milhares de Yazidis a fugir em direção às montanhas.

Na quinta-feira, aviões militares americanos lançaram alimentos e água potável para ajudar aos desabrigados Yazidis.

O ministro de Direitos Humanos do Iraque disse que militantes mantêm centenas de mulheres Yazidi reféns.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o porta-voz do ministério, Kamil Amin, afirmou que algumas delas estavam em cárcere privado em escolas em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque. Ele afirmou que a informação teria vindo das famílias das mulheres sequestradas.

Pressão política

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Image caption Milhares de yazidis e cristãos deixaram suas cidades por causa do avanço do EI

Em junho, quando o EI tomou o controle de Mosul, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, pediu a ajuda dos Estados Unidos para conter o avanço dos insurgentes – mas Washington não quis intervir.

Analistas afirmam que a ascensão dos rebeldes islâmicos, junto com o fracasso na formação de um novo governo após as eleições de abril, tenha forçado Obama a agir.

Maliki tem sido pressionado por lideranças dos curdos, sunitas e até xiitas para renunciar devido à maneira como vem lidando com a crise no país.

Mas, como líder do bloco que ganhou o maior número de assentos nas eleições parlamentares de abril, Maliki reivindicou o direito de formar um novo governo de coalizão.

Fontes iraquianas sugerem que o premiê foi forçado a oferecer garantias de que renunciaria em troca da ajuda militar dos Estados Unidos.

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