EUA lançam novos ataques contra rebeldes no Iraque

  • 8 agosto 2014
Iraque | Crédito: EPA Image copyright BBC World Service
Image caption Ofensiva ocorreu no norte do país em cidade controlada por rebeldes curdos ligados ao Estado islâmico

Os Estados Unidos realizaram nesta sexta-feira uma segunda rodada de ataques contra militantes do Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, informou o Pentágono.

A ofensiva ocorreu em um local próximo à cidade de Irbil, que já havia sido alvo dos ataques americanos no início da manhã.

O grupo sunita EI (antigamente conhecido como Isis, na sigla em inglês) controla grandes porções do território do Iraque e da Síria.

Centenas de milhares de pessoas pertencentes a minorias étnicas no Iraque já deixaram suas casas por causa do avanço dos rebeldes islâmicos.

O Estado Islâmico controla a maior usina hidrelétrica do Iraque, fonte de água e eletricidade para grande parte do país.

Os ataques realizados pelos Estados Unidos são a primeira ofensiva militar americana desde a saída das tropas do Iraque em 2011.

Comboio

Na segunda rodada de ataques, drones americanos destruíram um lançador de mísseis e mataram um grupo de militantes, informou o Pentágono.

Cerca de uma hora depois, caças F/A-18 usaram bombas guiadas por laser para atingir um comboio de sete veículos do EI, afirmou o contra-almirante John Kirby, porta-voz do Pentágono.

Mais cedo, duas bombas de 227 kg cada uma foram lançadas contra unidades de artilharia do EI, que estavam sendo usadas contra forças curdas. Os curdos defendiam o avanço dos militantes islâmicos contra Irbil.

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Marie Harf, porta-voz do departamento de Estado dos Estados Unidos, afirmou à BBC que o objetivo imediato dos ataques era "evitar o avanço" do EI contra a cidade de maioria curda.

"Então a longo prazo queremos trabalhar junto às forças curdas para que elas possam se recuperar e lutar sozinhas contra essa ameaça", disse Harf.

"Não há uma solução militar dos EUA de longo prazo ali", acrescentou.

Já o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que o mundo precisa "acordar" para a ameaça do EI.

Ele disse que a "campanha de terror contra inocentes, incluindo minorias Yazidi e cristãs" revelou "sinais preocupantes de genocídio".

No início da semana, militantes do EI tomaram o controle da cidade de Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque, provocando uma fuga em massa.

O avanço dos militantes também forçou centenas de milhares de Yazidis a fugir em direção às montanhas.

Na quinta-feira, aviões militares americanos lançaram alimentos e água potável para ajudar aos desabrigados Yazidis.

O ministro de Direitos Humanos do Iraque disse que militantes mantêm centenas de mulheres Yazidi reféns.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o porta-voz do ministério, Kamil Amin, afirmou que algumas delas estavam em cárcere privado em escolas em Mosul, a segunda maior cidade do Iraque. Ele afirmou que a informação teria vindo das famílias das mulheres sequestradas.

Pressão política

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Image caption Milhares de yazidis e cristãos deixaram suas cidades por causa do avanço do EI

Em junho, quando o EI tomou o controle de Mosul, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, pediu a ajuda dos Estados Unidos para conter o avanço dos insurgentes – mas Washington não quis intervir.

Analistas afirmam que a ascensão dos rebeldes islâmicos, junto com o fracasso na formação de um novo governo após as eleições de abril, tenha forçado Obama a agir.

Maliki tem sido pressionado por lideranças dos curdos, sunitas e até xiitas para renunciar devido à maneira como vem lidando com a crise no país.

Mas, como líder do bloco que ganhou o maior número de assentos nas eleições parlamentares de abril, Maliki reivindicou o direito de formar um novo governo de coalizão.

Fontes iraquianas sugerem que o premiê foi forçado a oferecer garantias de que renunciaria em troca da ajuda militar dos Estados Unidos.

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