Pais biológicos de bebê com Down falam pela primeira vez

  • 10 agosto 2014
David e Wendy Farnell | Foto: BBC
Image caption Casal diz que mãe de aluguel se recusou a entregar bebê com síndrome de Down

O casal australiano acusado de abandonar um bebê nascido com síndrome de Down de uma mãe de aluguel na Tailândia afirma que queria levar o bebê, mas que a mulher se recusou a entregá-lo.

Falando em público pela primeira vez, David e Wendy Farnell dizem que a mãe tailandesa, Pattaramon Chanbua, não queria dar a eles o pequeno Gammy, de sete meses.

O casal, que vive ao sul da cidade de Perth, levou consigo sua irmã gêmea, Pipah, que nasceu saudável. Agora dizem que lutarão para ter de volta o bebê.

Chanbua diz que o casal deixou Gammy para trás porque ele tem síndrome de Down e sofre de uma malformação cardíaca congênita que requer tratamento urgente.

Inicialmente, o casal disse à imprensa australiana que não sabia da existência do bebê e que a tailandesa, de 21 anos, estava mentindo.

Em uma entrevista exclusiva ao Canal 9 de TV da Austrália neste domingo, David Farnell afirmou que eles não abandonaram o menino.

"É uma escolha da mãe de aluguel se ela quer te dar ou não te dar o bebê. Apesar de termos um acordo, ele não significa nada, na verdade. A decisão é dela e nossa mãe de aluguel disse que queria ficar com o menino."

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Image caption Bebê sofre de uma malformação cardíaca e tem uma infecção pulmonar

Segundo o correspondente da BBC em Sydney, Phil Mercer, Farnell também foi rigorosamente questionado sobre seu passado durante a entrevista.

Em 1990, ele foi condenado por abusar de garotas menores de idade e, agora, afirma que não pode mais ser considerado um perigo.

Autoridades australianas dizem que já estão em contato com o casal, mas que no momento não têm maiores preocupações com a situação da bebê Pipah.

Irregularidades

Pattaramom Chanbua, uma vendedora ambulante com dois filhos próprios, disse à imprensa que havia recebido US$ 15 mil (R$ 34 mil) para alugar seu útero e ser mãe de aluguel para o casal Farnell.

Ela afirmou que David e Wendy quiseram obrigá-la a abortar quando souberam que um dos fetos era portador da síndrome de Down, e que se negou a fazê-lo por causa de suas crenças budistas.

Quando os gêmeos nasceram, o casal voltou para a Austrália com a criança saudável e deixou Gammy na Tailândia.

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Image caption Mãe tailandesa admite ter se recusado a entregar bebê por medo de que pais fossem interná-lo em instituição

Na entrevista à TV australiana, os pais biológicos dizem que foram ameaçados por Chanbua, que queria ficar com o bebê.

"Ela disse que se tentássemos levar o menino, ia chamar a polícia e ficaria com os dois bebês", afirmou David Farnell.

Farnell disse ainda que teve que sair da Tailândia porque seus vistos iam vencer e queriam afastar a menina de Chanbua. "Isso tudo tem sido muito estressante. Sentimos saudades de nosso menininho."

Por sua vez, Chanbua reconheceu neste domingo que não permitiu que Gammy fosse com os pais para a Austrália porque temia que eles o internassem em uma instituição. "Nunca disse que queria ficar com os dois bebês", ela afirmou.

A noticia chamou atenção internacional e foi criado um fundo que coletou cerca de US$ 150 mil para o tratamento de Gammy. O caso também evidenciou irregularidades na indústria de mães de aluguel na Tailândia.

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