Israel reage a foguetes e ataca Gaza antes de fim de trégua

  • 19 agosto 2014
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Image caption Era possível ver as colunas de fumaça depois do ataque de Israel na Faixa de Gaza

Os militares de Israel informaram nesta terça-feira que realizaram novos ataques aéreos na Faixa de Gaza, horas antes do fim de um cessar-fogo imposto na região.

Os israelenses alegam que a operação foi uma reação a disparos de foguetes vindos do território palestino em direção a Israel.

Os militares afirmam que atingiram "alvos terroristas" depois que três foguetes foram disparados na direção das cidades de Beersheba e Netivot.

Os dois lados tinham fechado um cessar-fogo de cinco dias e concordado em estender este cessar-fogo por mais 24 horas, enquanto delegações de Israel e dos palestinos tentavam negociar um acordo para acabar com semanas de confronto.

Desde o dia 8 de julho, o início dos confrontos, mais de 2.080 pessoas morreram, a maior parte, palestinos.

"Este ataque com foguetes foi uma violação grave e direta do cessar-fogo", disse o porta-voz do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, Mark Regev.

Nenhuma facção palestina em Gaza se manifestou ou assumiu a autoria dos disparos de foguetes. A região é dominada pelo grupo militante palestino Hamas.

No entanto, pouco antes dos ataques, Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas, afirmou que "se Netanyahu não entende... a linguagem da política no Cairo (Egito, onde israelenses e palestinos estão negociando), nós sabemos como fazer ele entender".

Uma autoridade israelense disse à BBC que a delegação de Israel foi instruída a abandonar as negociações e voltar para Israel depois do ataque.

'Sem avanços'

Um membro importante do Fatah, que é o movimento do presidente da Autoridade Palestina, Mahmou Abbas, afirmou mais cedo que "não houve avanços' nas negociações e que o "círculo de violência" deve continuar.

Negociadores palestinos afirmaram que Israel está tentando obter garantias de que o Hamas e outras facções na Faixa de Gaza serão desarmados.

Mas, os palestinos estão exigindo um fim aos bloqueios que israelenses e egípcios mantêm na Faixa de Gaza, sem nenhuma condição imposta pelos israelenses.

O Hamas já afirmou que não vai abrir mão de suas armas. No entanto, Israel afirma que precisa manter algum controle nos pontos de passagem na Faixa de Gaza, justamente para evitar o tráfico de armas.

O Exército de Israel lançou a operação contra militantes do Hamas na Faixa de Gaza no dia 8 de julho.

Israel alega que a incursão na Faixa de Gaza tem um objetivo: desarmar os militantes palestinos e destruir os túneis construídos pelo Hamas e outros grupos a fim de se infiltrar em Israel para realizar ataques.

As autoridades de Israel também querem o fim do lançamento de foguetes do Hamas contra território israelense. A maioria dos foguetes não tem nenhum impacto, já que o país conta com um sistema antimísseis avançado, o Domo de Ferro.

Israel diz ter o direito de defender-se e acusa o Hamas de usar escudos humanos e realizar ataques a partir de áreas civis em Gaza. O grupo palestino nega.

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Image caption Ataques de Israel atingem áreas densamente povoadas na Faixa de Gaza

O Hamas diz que lança foguetes contra Israel em legítima defesa, em retaliação à morte de partidários do grupo por Israel e dentro de seu direito de resistir à ocupação e ao bloqueio.

Motivos

Após o colapso das negociações de paz patrocinadas pelos Estados Unidos e o anúncio, no início de junho, de um governo de união nacional entre as facções palestinas Fatah e Hamas, considerado inaceitável por Israel, iniciou-se a nova onda de violência.

No dia 12 de junho, três jovens israelenses foram sequestrados na Cisjordânia e, dias depois, encontrados mortos. Israel culpou o Hamas e prendeu centenas de membros do grupo.

Israel reconheceu posteriormente que não poderia garantir se os responsáveis teriam sido o Hamas ou um grupo independente.

Após as prisões, o Hamas disparou foguetes contra território israelense. Israel lançou ataques aéreos em Gaza.

Em 2 de julho, um dia após o funeral dos jovens israelenses, um palestino de 16 anos foi sequestrado em Jerusalém Oriental e assassinado. Três israelenses foram acusados de queimá-lo vivo e, em Gaza, houve um aumento do disparo de foguetes contra Israel.

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