Israel bombardeia esconderijo de líder do Hamas e mata mulher e filha

Atentado contra local onde Deif estaria. Foto: AFP Direito de imagem AFP
Image caption Alvo do ataque era Mohammed Deif, mas quem morreu foi sua família

Milhares de pessoas, muitas delas pedindo vingança, saíram às ruas de Gaza nesta quarta-feira para acompanhar o enterro da mulher e da filha bebê de um líder do grupo palestino Hamas que foram alvo de um bombardeio de Israel.

Pelo menos 11 pessoas morreram no ataque aéreo israelense, que Tel Aviv diz que tinha como alvo Mohammed Deif, que chefia o braço armado do Hamas. Ainda não está confirmado se ele escapou do ataque, embora um porta-voz do Hamas citado pela agência de notícias AP tenha dito que ele não estava na casa em que estavam a mulher e a filha.

A informação sobre a morte de sua mulher e filha foi divulgada pelo vice-líder do Hamas, Mussa Abu Marzuk, que vive no exílio, no Cairo.

Israel diz que os ataques contra Gaza visam frear os ataques de foguetes disparados do território palestino contra o país. Segundo as autoridades israelenses, pelo menos 50 foguetes foram disparados pelo Hamas de Gaza na terça-feira e outros 20 na quarta-feira.

Procurado

Deif, acusado de ordenar um atentado suicida em Israel há vários anos, sobreviveu a diversas tentativas de assassinato, que o teriam deixado com várias deficiências. Ele teria perdido um olho e partes do corpo em atentados anteriores.

O palestino lidera as brigadas Qassam (braço armado do Hamas) desde 2002 e está na lista dos homens mais procurados por Israel. Ele estaria por trás de vários atentados a bomba nos anos 1990 contra Israel. Deif também é acusado de ser o idealizador da estratégia de redes de túneis subterrâneos ligando Gaza ao território israelense.

O ministro do Interior de Israel, Gideon Saar, disse a uma rádio das Forças Armadas de Israel que Deif é um "alvo legítimo" e que deve ser eliminado, caso surja uma oportunidade.

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Image caption Mohammed Deif está há anos na lista dos mais procurados por Israel

O ministro da Ciência e ex-assessor para assuntos de segurança, Yaakov Perry, disse que está "convencido de que havia certeza de que Mohammed Deif estava na casa, porque caso contrário nós não teríamos bombardeado (o local)."

'Portas do inferno'

Após o ataque, as brigadas Qassam disseram que Israel abriu "as portas do inferno" e que pagaria por isso.

O gabinete de segurança de Israel pretende se reunir ainda nesta quarta-feira para discutir a violência na região.

Na quarta-feira, sete pessoas – incluindo uma mulher nos últimos meses de gravidez e três crianças – foram mortas em um outro ataque na região central de Gaza, segundo informações de médicos à agência AFP. No total, cerca de cem pessoas ficaram feridas desde o fim do cessar-fogo, segundo autoridades palestinas.

Jerusalém, Tel Aviv e várias outras cidades tocaram alarmes à noite para alertar a população israelense sobre os ataques com foguetes.

A violência voltou a região depois de uma semana de tentativas fracassadas de se chegar a um acordo no Egito. A delegação israelense já deixou o Cairo.

Representantes dos dois lados disseram que 2.029 palestinos e 66 israelenses morreram desde o dia 8 de julho, quando começou a atual onda de hostilidades entre israelenses e palestinos.

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