Libéria: Polícia cerca favela para impedir Ebola e desata protestos

  • 21 agosto 2014
Favela na Libéria. Foto: REUTERS Image copyright REUTERS
Image caption Favela na Libéria teve protesto com feridos após ter sido cercada com arame farpado

A polícia na Libéria disparou contra manifestantes de uma favela na capital que estão em quarentena por causa da disseminação do vírus ebola.

Moradores da favela de West Point acusam o governo de ter cercado a comunidade com arame farpado, impedindo que os residentes saiam para trabalhar ou comprar comida. A ordem para o cerco foi dada pela presidente Ellen Johnson Sirleaf, que também impôs um toque de recolher.

Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas nos protestos. Um morador disse à BBC que a polícia usou gás lacrimogêneo para tentar conter a multidão.

No fim de semana passado, os moradores de West Point atacaram um centro de quarentena da doença, destruindo colchões e ajudando suspeitos de contaminação por ebola a escapar – o que aumentou os riscos de disseminação.

A presidente disse que a população não está seguindo as orientações do governo.

"Não temos conseguido controlar a disseminação da doença devido a constantes recusas, práticas culturais variadas, negligência em relação aos conselhos dados por assistentes de saúde e desrespeito aos alertas do governo", disse Sirleaf.

Bruxaria

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Image caption Libéria está em estado de emergência por conta do ebola

Algumas pessoas acreditam que o ebola não passa de um boato. Outras dizem não confiar na medicina ocidental, afirmando que a doença é fruto de bruxaria.

Mas há muitos que levam a sério a ameaça e acusam o governo e a comunidade internacional de não fazer o suficiente para protegê-los.

Dolo Town – outra cidade a 40 quilômetros da capital Monróvia – também está em quarentena. Todos os locais de entretenimento precisam fechar as suas portas às seis da tarde, em uma tentativa de fazer com que as pessoas fiquem mais tempo em casa.

A Libéria é o país com o maior número de mortes no pior surto de ebola da história, que começou em fevereiro e se espalhou pelo Oeste da África.

Um total de 1.359 pessoas morreram em quatro países até agora – Guiné, Nigéria e Serra Leoa, além da Libéria.

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