Seis meses depois, o que se sabe sobre o sumiço do voo MH370

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Image caption Boeing 777 da Malaysia Airlines desapareceu com 239 pessoas a bordo sem deixar vestígios

Há exatamente seis meses, no dia 8 de março de 2014, o voo MH370 da Malaysia Airlines decolou de Kuala Lumpur, na Malásia, com destino a Pequim, na China.

A aeronave carregava 239 pessoas, entre passageiros e tripulantes. Mas uma hora depois da decolagem, o Boeing 777-200R desapareceu.

O incidente provocou a maior operação de busca por ar, mar e história da terra.

Mas até hoje muitos se perguntam, em uma época em que qualquer indivíduo pode ser localizado graças às tecnologias existentes, como é possível que um avião 63 metros de comprimento e 60 metros de largura possa, simplesmente, desaparecer sem deixar vestígios?

Seis meses depois da tragédia, a BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, explica o que se sabe sobre o voo MH370.

O desaparecimento

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Image caption Familiares dos desaparecidos com o avião continuam esperando respostas

O voo MH370, da Malaysia Airlines, decolou do Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur às 0h41 (hora local) e deveria pousar no Aeroporto Internacional de Pequim às 6h30.

Após a decolagem, o avião atingiu uma altitude de cruzeiro de 11 mil metros e viajava a uma velocidade de 872 km/h.

Mas às 1h20, cerca de uma hora após a decolagem, a aeronave perdeu totalmente o contato com o controle de tráfego aéreo quando estaria sobrevoando a península de Ca Mau, no Vietnã.

As autoridades da Malásia informaram que a última mensagem de rádio recebida na torre de controle minutos antes do desaparecimento sugeria que tudo estava normal com o voo sobre o Mar do Sul da China.

O voo da Malaysia Airlines foi declarado desaparecido às 07h24.

Segundo as autoridades, viajavam no MH370 227 passageiros de 15 nacionalidades diferentes, principalmente chineses (153) e Malásia (38).

Todos os 12 membros da tripulação eram malaios.

O último contato

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Image caption O avião da Malaysia Airlines carregava 239 pessoas, a maioria chineses

O relatório automático da posição final do avião e a última mensagem enviada usando o protocolo ACARS (Aircraft Communication Addressing and Reporting System), um sistema de comunicações ar-terra para transmitir ou receber dados automaticamente, aconteceram às 01h07, hora local.

O último contato com a torre foi realizado logo depois, às 01h19, quando um dos pilotos da aeronave respondeu a uma mensagem de controle de tráfego aéreo de Kuala Lumpur. "Boa noite. Malaysia Três. Sete. Zero".

A expectativa era de que a tripulação fizesse contato com o controle de tráfego aéreo da cidade de Ho Chi Minh quando o avião sobrevoasse o espaço aéreo vietnamita, mas isso não aconteceu.

O comandante de outro avião tentou, sem sucesso, entrar em contato com o MH370 pouco depois das 1h30 usando a frequência de socorro internacional para transmitir a ordem de controle de tráfego aéreo vietnamita para a tripulação.

Outras chamadas para a cabine do MH370 às 02h39 e 07h13 não foram respondidas, mas foram reconhecidas pelo sistema de comunicações por satélite da aeronave.

Pesquisa

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Image caption Boeing 777 decolou de Kuala Lumpur tinha como destino Pequim, na China

Desde seu desaparecimento, a área de busca pela aeronave mudou várias vezes.

Inicialmente, o foco era o Mar do Sul da China.

Em seguida, usando as comunicações por satélite da empresa britânica Inmarsat, foi possível deduzir a última localização do avião: sul do Oceano Índico, na costa oeste da Austrália. A partir daí, foram estabelecidos dois corredores de norte a sul para as buscas.

Mas, apesar de uma grande operação de busca por mar e no ar, não foi encontrado nenhum indício da aeronave.

A operação de busca envolveu navios e aviões civis e militares para explorar minuciosamente o oceano.

O primeiro passo foi utilizar localizadores para captar sinais transmitidos pela caixa preta e, em seguida, um mini-submarino.

Depois de várias pistas falsas, as buscas chegaram a cobrir uma área total de 7,7 milhões de quilômetros quadrados - o equivalente a 11% do Oceano Índico e a 1,5% da superfície da Terra. A operação, que envolveu 26 países, acabou suspensa no final de maio para que os pesquisadores pudessem reavaliar a zona de exploração.

A operação atual

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Image caption As buscas pelo voo MH370 entram agora em uma nova fase

Agora, a busca pelo voo MH370 entra em uma nova fase, que vai se concentrar em uma área específica de cerca de 60 mil quilômetros quadrados de leito oceânico no sul do Oceano Índico, na costa oeste da Austrália, a um custo de dezenas de milhões de dólares.

A área está localizada a cerca de 1,8 mil quilômetros da costa oeste da cidade australiana de Perth.

A operação está sendo realizada pelas autoridades malaias, em conjunto com o FBI, a Interpol e outras agências internacionais.

Oito países estão envolvidos nas novas buscas: Austrália, China, Japão, Malásia, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos.

A parte submarina da operação será gerenciada pelo Escritório de Segurança de Transportes australiano (ATSB).

Atualmente, uma equipe especializada em explorar o leito marinho está atuando na área e investigadores vêm mapeando a topografia da zona oceânica.

Até agora, o conhecimento dessa parte do fundo do oceano é limitada, mas o mapeamento permitirá realizar buscas em pontos determinados.

Essa nova fase da operação, para a qual foram contratados barcos equipados com sistemas de reboque para exploração subterrânea, começará no final de setembro.

Acredita-se que a nova operação de localização do MH370 se estenda por até 12 meses.

Hipóteses

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Image caption Acredita-se que a nova operação de localização do MH370 se estenda por até 12 meses

Fatores climáticos, erros humanos e problemas de navegabilidade são causas comuns de acidentes aéreos.

Acredita-se que as condições meteorológicas eram boas. O piloto, de 53 anos, tinha mais de 18 mil horas de experiência de voo e trabalhava para a Malaysia Airlines desde 1981.

Um relatório divulgado em junho pelo Escritório de Segurança do Transporte australiano informou que o cenário mais provável da catástrofe teria sido causado pela despressurização da cabine dos pilotos. De acordo com as autoridades, eles teriam ficado sem oxigênio e inconscientes. Como resultado, o avião teria viajado sem rumo com o piloto automático ligado.

Mas essa conclusão apresenta algumas falhas e não pode ser verificada. Não é explicado, por exemplo, por que o avião desviou de seu caminho original enquanto sobrevoava a península da Malásia, rumando para o sul.

Os investigadores acreditam que essa mudança de rota foi deliberada: sistemas de comunicação parecem ter sido desativados quando a aeronave deixou o espaço aéreo malaio e momentos antes de seu súbito desvio.

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