Novo ataque rebelde ameaça cessar-fogo na Ucrânia

Fumaça sai do aeroporto de Donetsk (foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Ataque de rebeldes pró-Rússia é repelido por forças ucranianas, mas coloca cessar-fogo em cheque

Rebeldes pró-Rússia e forças da Ucrânia voltaram a entrar em confronto no leste do país neste sábado. O combate, que aconteceu no aeroporto da cidade de Donetsk, coloca em risco um cessar-fogo assinado há menos de dez dias entre o governo e os separatistas.

O governo ucraniano afirmou ter repelido um ataque de separatistas no aeroporto -que ainda é controlado pelas forças armadas, apesar o resto de Donetsk estar dominada pelos rebeldes.

O correspondente da BBC em Donetsk¸ Paul Adams, afirmou que era possível ouvir troca de tiros e disparos de artilharia e foguetes no aeroporto. Segundo ele, uma grande quantidade de fumaça negra saía do local.

Ele afirmou que embora duas centenas de combatentes do Exército ucraniano tenham estado abrigados no aeroporto desde junho, agora eles parecem mais organizados para manter a posição.

De acordo com Adams, o ataque é considerado um desafio ao cessar-fogo assinado em 5 de setembro com a participação do presidente russo Vladimir Putin.

Em paralelo à ação em Donetsk, o premiê ucraniano Arseniy Yatsenyuk acusou a Rússia de tentar "eliminar" seu país.

Ele afirmou que a Ucrânia está em estado de guerra e que o principal agressor é a Rússia. Também acusou Moscou de querer conquistar todo o país e disse que a Otan (aliança militar ocidental) é o único "veículo" para proteger seu país.

O governo ucraniano e as potências do Ocidente acusam a Rússia de auxiliar os separatistas que atuam no leste do país. A afirmaão é negada por Moscou.

O chanceler russo Sergei Lavrov afirmou neste sábado que a Rússia não quer criar uma zona de segurança no leste da Ucrânia.

Ele acusou os Estados Unidos de "tentar usar a crise na Ucrânia para romper laços econômicos entre a União Europeia e a Rússia e forçar a Europa a comprar gás americano a preços muito mais altos".

Comboio russo

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Image caption Observadores afirmam que Rússia enviou 220 caminhões para território ucraniano.

Também no sábado, autoridades russas afirmaram que um comboio de ajuda humanitária entrou na Ucrânia.

Um porta-voz da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa disse ao correspondente da BBC que 220 caminhões russos cruzaram a fronteira ucraniana entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado. A maioria deles não foi inspecionada por autoridades da Ucrânia ou observadores internacionais.

Autoridades de Kiev e das potências ocidentais suspeitam que comboios como esse estejam transportando equipamentos para os rebeldes. A Rússia insiste que eles levam apenas bens essenciais e humanitários, como geradores, comida e bebida.

A Otan afirma que a Rússia mantém ao menos 1.000 unidades militares pesadas na Ucrânia e cerca de 20.000 estacionadas próximo à fronteira.

Moscou nega estar mandando ajuda militar direta aos rebeldes, mas afirma que combatentes "voluntários" estão atuando na Ucrânia.

Novas sanções

O confronto em Donetsk ocorre um dia após os Estados Unidos imporem novas sanções em grandes bancos, empresas de defesa e energia da Rússia.

Entre as medidas está a proibição de que cidadãos americanos façam empréstimos de mais de 30 dias para o maior banco da Rússia, o Sberbank.

As sanções também bloqueiam o repasse de recursos e tecnologia para a exploração de petróleo no Ártico e em plataformas marítimas – afetando ao menos cinco grandes companhias russas.

A Rússia tem projetos bilionários de exploração de petróleo na Sibéria que dependem de parceiras ocidentais, como a ExxonMobil e a BP.

As petroleiras russas também serão impedidas de ter acesso a mercados financeiros.

Além disso, mais de 100 autoridades russas e líderes rebeldes tiveram vistos e bens cancelados.

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