Dilma e Aécio são principais alvos em debate tenso entre presidenciáveis

Aécio Neves, Dilma Rousseff e Marina Silva no debate da CNBB / Crédito: AP Direito de imagem AP
Image caption Debate da CNBB foi o terceiro entre os presidenciáveis

Os candidatos à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, e pelo PSDB, Aécio Neves, foram os principais alvos de críticas e ataques em encontro organizado nesta terça-feira pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que rendeu um debate um pouco mais 'tenso' entre os presidenciáveis.

Em um evento pontuado por questões morais, como o direito ao aborto, o casamento gay e a legalização das drogas, os candidatos do PV, Eduardo Jorge, e Luciana Genro, do PSOL, destoaram dos demais postulantes ao confrontarem posições defendidas pela Igreja Católica. Luciana e Genro também fizeram algumas das críticas mais duras dirigidas a Dilma e Aécio.

Marina Silva, que estava rouca e aparentava cansaço, ficou à margem das principais polêmicas.

O formato do debate promovido pela CNBB - o terceiro entre os aspirantes à presidência - permitiu pouca interação entre os três principais candidatos. Apenas no quarto bloco, houve perguntas entre os presidenciáveis, que não podiam escolher para quem direcionariam suas questões - essas definições eram feitas por sorteio pelo mediador.

Escândalos

O momento mais tenso do debate ocorreu quando Luciana Genro associou Aécio Neves a escândalos de corrupção ocorridos em Minas Gerais e no governo federal.

"O senhor falando do PT é como o sujo falando do mal lavado", disse Luciana. Ela afirmou que o mensalão, principal escândalo de corrupção do governo petista, deriva do mensalão tucano, em que políticos mineiros – entre os quais o ex-governador Eduardo Azeredo, do PSDB – são acusados de envolvimento em um esquema de compra de apoio na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Luciana disse ainda que Aécio protagonizara um dos últimos escândalos da política brasileira ao reformar um aeroporto em Cláudio (MG). Uma reportagem da Folha de São Paulo revelou em julho que a obra, ocorrida em 2010, quando Aécio era governador, custou R$13,9 milhões e foi feita em terreno desapropriado de um tio-avô do tucano.

"O senhor é tão fanático das privatizações que consegue privatizar um aeroporto e entregar à família, tão fanático da corrupção que consegue construir um aeroporto para beneficiar sua família."

Aécio rebateu as acusações dizendo que Luciana se portava como "linha auxiliar do PT" e que se escusou de responder sua pergunta sobre educação porque não tinha proposta de governo. Em sua última fala, disse ainda que "aqueles que são irrelevantes fazem acusações absurdas e levianas, que não devem ocupar o tempo tão escasso (que há) para se falar do Brasil".

O embate ocorreu no dia em que uma pesquisa revelou o crescimento de Aécio na corrida. De acordo com um levantamento do Ibope, Aécio ganhou quatro pontos percentuais em relação à última pesquisa, de 12 de setembro, e chegou a 19% das intenções de voto.

Ele continua em terceiro lugar na disputa, atrás de Dilma Rousseff (que passou de 39% a 36%), e de Marina Silva (31% a 30%).

Corrupção

O bate-boca entre Luciana e Aécio foi precedido por duras críticas do tucano ao governo de Dilma Rousseff. Em resposta a pergunta do candidato do PSC, Pastor Everaldo, sobre denúncias recentes de corrupção na Petrobras, Aécio afirmou que o caso "fez com que o mensalão parecesse coisa pequena".

"Quem não teve condições de administrar nossa maior empresa não tem condições de administrar o Brasil", disse o tucano, referindo-se a Dilma.

"A Petrobrás é a face mais visível de governo que abandonou há muito tempo um projeto de país e se permite usar de todas as armas para se manter no poder", afirmou.

Dilma pleiteou o direito de resposta e foi atendida. Ela disse ter "tolerância zero" com a currupção e que quem investiga o escândalo na Petrobrás é o próprio governo, por meio da Polícia Federal.

"Se hoje se descobrem atos de corrupção, ilícitos, é porque não varremos para debaixo do tapete", afirmou.

Em outra ocasião, a petista foi duramente criticada pelo candidato do PV, Eduardo Jorge. Respondendo questão sobre demarcações de terras indígenas, Jorge afirmou que a política do governo Dilma – que paralisou todos os processos demarcatórios – "significou mais violência, mais fome e mais mortalidade infantil" entre índios.

Citando informações do Cimi (Conselho Indigenista Missionário, braço da Igreja Católica), ele afirmou que há 17 processos de demarcação de terras indígenas parados na mesa da presidente, e outros 12 na mesa do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele disse que, se eleito, concluirá as demarcações em seu primeiro dia de governo.

O governo afirma que os processos foram paralisados para evitar conflitos, já que a maior parte das demarcações em curso ocorre em áreas também ocupadas por agricultores.

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