Manifestações pelo clima se espalham pelo mundo

Manifestação por ação contra mudanças climáticas em Nova York | Foto: EPA Direito de imagem EPA
Image caption Manifestações aconteceram em mais de 160 países antes de conferência do clima na ONU

Manifestações exigindo providências urgentes contra as mudanças climáticas acontecem hoje em todo o mundo - há relatos de protestos em mais de 2 mil lugares.

Chamadas de People's Climate March (Caminhada pelo Clima, no Brasil) pedem a diminuição de emissões de carbono antes do início da conferência do clima da ONU, que acontece em Nova York na próxima semana.

Em Manhattan, dezenas de milhares de pessoas estão em uma manifestação que tem a presença do próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e do astro de cinema Leonardo DiCaprio, que foi nomeado representante de mudança climática da ONU na semana passada.

"Este é o planeta onde as próximas gerações vão viver. Não existe plano B, porque não temos o 'Planeta B'", disse Ban Ki-moon a jornalistas.

O secretário-geral está acompanhado pela primatologista Jane Goodall e pela ministra francesa da Ecologia, Segolene Royal.

Os organizadores do evento de Manhattan dizem ter atraído 550 ônibus lotados de ativistas - o que dizem ser o maior protesto sobre o tema nos últimos cinco anos.

Direito de imagem AFP
Image caption O secretário-geral da ONU quer conseguir que países avancem em acordo sobre ações contra mudança climática
Direito de imagem EPA
Image caption Celebridades e autoridades participaram de manifestações nos Estados Unidos e na Europa

Eles afirmam que a mobilização pretende transformar a mudança climática "de preocupação ambiental a assunto de todos".

Executivos, ambientalistas e celebridades também participam de manifestações em 161 países - entre eles Reino Unido, Afeganistão e Brasil.

'Partida de pôquer'

Na Austrália, organizadores dizem que cerca de 20 mil pessoas compareceram às ruas em Melbourne para pedir ao primeiro-ministro Tony Abbott para fazer mais a respeito das mudanças climáticas.

O correspondente da BBC em Sydney, Phil Mercer, diz que os manifestantes temem que o país enfrente mais períodos severos de seca, incêndios florestais e tempestades caso as emissões de gases estufa não sejam reduzidas.

Direito de imagem AP
Image caption Apesar da chuva, cerca de 4 mil pessoas participaram de Caminhada pelo Clima no Rio
Direito de imagem AP
Image caption Cristo Redentor foi iluminado de verde na sexta-feira, para convidar ativistas a participar de mobilização

No Brasil, cerca de quatro mil pessoas participaram da Caminhada pelo Clima, sob a chuva, no Rio de Janeiro.

Na sexta-feira à noite, os organizadores iluminaram o a estátua do Cristo redentor de verde e projetaram mensagens convidando à participação na manifestação.

Na próxima terça-feira, a ONU realizará uma conferência sobre o clima em sua sede, em Nova York, com a presença de 125 chefes de Estado e de governo - a primeira reunião do tipo desde a conferência de Copenhagen, em 2009, considerada um fracasso.

Ban Ki-moon diz esperar que os líderes mundiais consigam, desta vez, avançar em um acordo universal a ser assinado por todos os países no fim de 2015.

Ele disse que iria "dar os braços àqueles protestando por ações contra a mudança climática" para mostrar que a ONU está "com eles do lado certo deste assunto chave para nosso futuro comum".

O analista de meio ambiente da BBC, Roger Harrabin, diz que, apesar da mobilização, ainda pode ser difícil conseguir um acordo entre os países sobre o clima.

"Os protestos trouxeram mais pessoas do que nunca às ruas, graças ao poder do site de campanhas virtuais Avaaz. E Ban Ki-moon espera conseguir algo novo em meio ao 'culpe seu vizinho' comum nas conferências climáticas", disse Harrabin.

"Desta vez, ele convidou os líderes mundiais a fazerem sugestões públicas de ações para lidar com o problema. Certamente alguns países menores farão novas contribuições, mas os grandes jogadores continuarão a partida de pôquer, segurando as cartas até avaliarem o que está na mesa."

Notícias relacionadas