Aécio ganha em linguagem corporal em duelo com Dilma, diz analista

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Image caption Especialistas afirmama que debate foi dominado pelo embate entre Dilma e Aécio

A dois dias da votação do primeiro turno das eleições presidenciais, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) polarizaram as atenções e os maiores confrontos do último debate da campanha, realizado na TV Globo nesta quinta-feira, acreditam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.

Ao contrário do que havia ocorrido nos debates anteriores, a petista deixou de focar na candidata Marina Silva (PSB) para rivalizar com o ex-governador de Minas Gerais.

Para o cientista político Carlos Pereira, da FGV-Rio, "na visão da campanha do PT, ainda é mais interessante disputar o segundo turno com Aécio, que é um inimigo conhecido".

Entre os analistas, parece haver consenso de que o debate mais importante desta primeira etapa da corrida rumo ao Planalto foi dominado por Dilma e Aécio.

Desempenho

Para Paulo Sérgio de Camargo, autor do livro Linguagem Corporal (Editora Summus, 2010), Aécio foi o que teve a melhor desempenho em termos de linguagem corporal.

"Ele falou com convicção da primeira à última fala. Falou com muita clareza, com voz incisiva, não vacilou em momento algum."

Já Marina não se saiu tão bem como em debates anteriores. "Ela estava cansada. Acho que a campanha tirou muita energia dela, e nesse último debate ela sentiu esse peso", diz Camargo.

Dilma chegou a gaguejar na primeira resposta, onde antecipou a questão da corrupção da Petrobras antes de ser perguntada a respeito, como que tentando evitar o ataque.

O fogo acabou vindo do mesmo jeito, talvez reforçado por sua reiteração logo na primeira fala de que havia demitido o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, enquanto uma reportagem do dia reunia evidências de que ele havia renunciado.

"A Dilma estava insegura no começo e só se portou com mais convicção quando estava na frente da Marina. Erguia o queixo, colocava a mão na mesa, olhava para ela diretamente. Ela partiu para o enfrentamento", diz.

A postura corporal da presidente não evoca simpatia, diz Camargo. "A Dilma faz caras e bocas. Quando a Marina ou o Aécio perguntavam, ela fazia cara de desprezo, dando pouca importância ao que o outro diz. Isso é ruim para ela."

Impactos

A dois dias do primeiro turno das eleições, é difícil medir os impactos dos principais pontos do debate sobre as urnas.

Para o cientista político Ricardo Ismael, professor do Iuperj e da PUC-Rio, "houve um pingue-pongue muito grande entre Dilma e Aécio, mas não a ponto de ele estar brilhando no debate".

"Ele tem desenvoltura, saiu-se bem, mas não sei se haverá impacto. Já Marina deixou a desejar no ponto de vista da forma, mas quanto ao conteúdo, teve aspectos positivos", avalia.

Ismael considera que não houve um fato novo produzido pelo debate. "Acho que não vai provocar grandes mudanças. Houve embates interessantes, mas nenhum grande gol foi marcado por nenhum candidato", conta.

Ele relembra que Aécio pode ter optado por não atacar Marina para evitar o risco de que os votos da candidata do PSB migrassem para Dilma, o que não lhe beneficiaria.

Além dos três principais candidatos, embates ocorreram com Levy Fidelix (PTRB) de um lado e Eduardo Jorge (PV) do outro. Posteriomente Fidelix também enfrentou Luciana Genro (PSOL).

Temas como homofobia, discriminação e aborto acabaram sendo abordados pelos candidatos de menor expressão.

Na pesquisa do Datafolha divulgada na noite desta quinta-feira, Dilma permanece na liderança isolada, com 40% das intenções de voto. Marina aparece com 24% e Aécio com 21%. Levando em conta a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, a sondagem coloca Marina e Aécio num empate técnico.

Já na pesquisa do Ibope, também divulgada na noite desta quinta-feira, Dilma aparece com 40%, enquanto Marina tem 24% e Aécio 19%.

*Colaborou Luciani Gomes, da BBC Brasil no Rio de Janeiro

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