Motoqueiros holandeses se juntam à luta contra o 'Estado Islâmico'

Combatente curdo (foto: AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Grupo de três motoqueiros holandeses se juntou a forças que combatem o Estado Islâmico

Três membros de um clube de motoqueiros holandeses foram para o Iraque para ajudar a combater o grupo extremista que se intitula "Estado Islâmico", segundo um colega do trio.

Eles foram para o norte do Iraque para ajudar os curdos após se horrorizarem com as notícias sobre as atrocidades cometidas pelos extremistas, de acordo com uma entrevista dada por Klaas Otto à mídia holandesa.

Os três são soldados treinados que já lutaram no exterior, no passado, segundo ele.

Promotores públicos holandeses afirmaram que não necessariamente eles estão quebrando a lei por lutar ao lado dos curdos.

Wim de Bruin, um porta-voz do escritório do procurador geral, afirmou que juntar-se a organizações como o Estado Islâmico ou o grupo militante curdo PKK seria proibido, mas entrar em uma força armada estrangeira não é proibido.

"Mas se for provado que eles cometeram assassinatos ou estupros então, claro, a história será diferente", afirmou.

O Ministério da Defesa da Holanda disse que não pode ser responsabilizado pelas decisões de seus ex-combatentes.

Segundo a correspondente da BBC em Haia, Anna Holligan, a Holanda tem uma considerável comunidade curda. Há algumas semanas centenas deles fizeram uma manifestação no Parlamento.

O governo revogou os passaportes de 49 curdos de dupla nacionalidade para evitar que eles fossem lutar na Síria e no Iraque. Mas não explicou a razão da mesma medida não ter sido tomada em relação aos motoqueiros.

Os três homens são membros de um infame clube de motoqueiros – o maior do país, conhecido como "No surrender".

Otto afirmou que eles agiram de forma independente, sem representar o clube. Ele descreveu um deles, identificado apenas como Ron, como um "bom amigo".

"Eles são extremamente disciplinados. Não bebem álcool, nem mesmo à noite no clube", afirmou.

Ele falou sobre a motivação do trio: "Eles queriam fazer alguma coisa ao ver as fotos das decapitações".

Nas mídias sociais, surgiram as imagens de dois homens europeus posando com guerreiros curdos, aparentemente no Iraque. Não havia indicações de que eles estavam usando motocicletas.