Demência é principal causa de morte entre mulheres na Inglaterra

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Image caption Demência mata três vezes mais que o câncer de mama e milhares de vezes mais que infarto

Mais do que câncer de mama e do que qualquer problema cardíaco. A doença que mais mata mulheres na Inglaterra e no País de Gales é a demência, segundo números oficiais.

De acordo com os dados, a demência mata três vezes mais que o câncer de mama e milhares de vezes mais que um infarto ou um derrame.

Os analistas dizem que o número crescente de mortes por essa doença acontece porque agora os médicos estão mais conscientes dela e estão incluindo a demência nos certificados de óbito com mais frequência.

No caso dos homens, porém, a causa mais comum de morte é problema cardíaco, e a demência é a terceira na lista de doenças que mais matam.

O fato de o cérebro ir ‘atrofiando’ aos poucos na demência faz a vida dele ser mais curta. A doença pode ser registrada como a única causa da morte, mas é frequentemente considerada uma condição subjacente. Muitas pessoas com demência acabam morrendo de pneumonia.

Dados

Os dados, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (ONS, na sigla em inglês), mostraram que mais de meio milhão de pessoas morreram na Inglaterra e no País de Gales em 2013 em decorrência da doença.

O câncer ainda é a causa principal de morte dos dois géneros quando se considera todos os tipos de câncer juntos. Perto de uma em cada três mortes no ano passado foram de algum tipo de câncer.

Os dados mais recentes confirmam uma mudança dramática nas causas de morte na última década.

Entre 2003 e 2013, a porcentagem de mortes por doenças cardíacas – que incluem infartos - caiu de 22% para 16% entre as mortes em homens. Nas mulheres, o índice caiu de 15% para 10%.

Tratamento e prevenção dessas doenças também melhoraram nesse período, o que significa que as pessoas estão mais propensas a sobreviverem a infartos e mais pessoas conseguem até preveni-los.

Enquanto isso, a demência aumentou de 2% para 6% nas causas de morte em homens e de 5% para 12% nas causas de morte em mulheres.

O relatório do Instituto Nacional de Estatística diz que "parte do aumento dessa porcentagem nas últimas décadas deve-se a uma melhor compreensão do que é a doença."

"Isso significa que os médicos podem estar mais preparados para registrar a demência como causa da morte", prossegue o relatório.

Para Hilary Evans, do grupo de pesquisa em Alzheimer no Reino Unido, "os números evidenciam que a demência é um grande problema e que não podemos escondê-lo mais".

"Precisamos agora voltar nossas atenções para a demência, nosso grande desafio de saúde, e investir em pesquisas que vão nos levar a uma melhor prevenção da doença e a um melhor tratamento dela."