Alemanha 'aceitaria saída de britânicos' da União Europeia

Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Merkel não quer mudanças na lei de movimentação de trabalhadores pelo bloco europeu

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse em entrevista que preferiria a saída da Grã-Bretanha da União Europeia do que comprometer o princípio da livre movimentação de trabalhadores dentro do bloco.

A afirmação foi feita em entrevista à revista alemã Der Spiegel.

Segundo a revista, esta é a primeira vez que Merkel reconheceu a possibilidade da saída dos britânicos do bloco.

Até o momento, o governo britânico não comentou a entrevista da chanceler alemã.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, quer renegociar os termos para que a Grã-Bretanha continue sendo um país membro do bloco antes de realizar um referendo a respeito no país.

O primeiro-ministro afirma que a liberdade de movimento estaria "no centro da minha estratégia de renegociação para a Europa".

Mas, de acordo com a Der Spiegel, Merkel teria dito que vai retirar o apoio à continuidade da Grã-Bretanha como membro da União Europeia se os britânicos continuarem pressionando por reformas nas leis de imigração dentro do bloco.

Segundo o jornal britânico The Sunday Times, a Alemanha já rejeitou uma proposta para impor cotas para a entrada de imigrantes com baixa qualificação no país.

A Der Spiegel relatou que Cameron, por sua vez, está analisando um plano para esticar as regras da União Europeia "até o limite" para conseguir proibir a entrada de imigrantes que não tenham emprego no país e deportar aqueles que não conseguem se sustentar depois de três meses na Grã-Bretanha.

No domingo, o parlamentar conservador e ex-ministro da Justiça britânico Kenneth Clarke, defendeu a política de imigração da União Europeia.

"Se você quer ter um mercado único razoável, se queremos competir com os americanos, os chineses e assim por diante, no mundo moderno, precisamos da livre movimentação de trabalhadores", disse Clarke à BBC.

Um porta-voz do governo britânico respondeu que "o primeiro-ministro fará o que é certo para a Grã-Bretanha, como ele já deixou claro várias vezes".

Notícias relacionadas