Índia acaba com veto a mulheres maquiadoras em Bollywood

BBC
Image caption Proibição mulheres maquiadoras em Bollywood já perdurava 59 anos

A Suprema Corte da Índia declarou inconstitucional um veto sindical que há 59 anos proibia mulheres de trabalharem como maquiadoras na indústria cinematográfica do país, conhecida popularmente como Bollywood.

Dois juízes consideraram a medida uma discriminação de genêro e que ela feria a Constituição do país.

Um poderoso sindicato argumentava há muito tempo que os homens precisavam destes empregos.

A Índia tem uma das maiores indústrias de cinema e televisão do mundo.

As mulheres podiam trabalhar nela como cabelereiras, mas qualquer uma que tentasse fazer maquiagem era ameaçada e até mesmo agredida.

Leia mais: Pressão social faz indianas se tornarem mães aos 70 anos

Segundo a repórter de negócios da BBC em Nova Déli, Shilpa Kannan, nem mesmo os diretores e atores mais conceituados do países conseguiam subverter a regra.

"Uma atriz com quem conversei disse que não se sentia confortável com homens fazendo sua maquiagem corporal, mas que ela não tinha escolha", afirma Kannan.

"Produtores que desafiaram a norma pagaram multas caras e artistas tiveram seus nomes eliminados dos créditos. Às vezes, maquiadoras eram levadas para os sets discretamente, porque, se o sindicato soubesse que elas estavam lá, a filmagem poderia ser suspensa."

A maioria das maquiadoras acabavam ficando restritas a trabalhar em desfiles de moda, comerciais e casamentos.

'Sem motivo'

Nove mulheres entraram com pedido de fim deste veto na Suprema Corte em janeiro de 2013.

Uma delas, Charu Khurana, disse que aprendeu a maquiar em uma escola na Califórnia, mas que era impedida de trabalhar em Bollywood.

"Trabalhei em alguns filmes, mas foi difícil", conta ela.

Leia mais: "Me sentia suja" - o tabu de menstruar na Índia

A corte disse à Associação de Maquiadores e Cabelereiros de Cinema da Índia para dar fim à proibição imediatamente.

"Isso não é permitido sob nossa Constituição. Por que só homens podem ser maquiadores? Não vemos razão para proibir uma mulher de trabalhar com isso se ela tem as qualificações necessárias", afirmaram os juízes.

"Estamos em 2014, não em 1935. Isso não pode continuar por nem mais um dia."

O sindicato tem uma semana para responder. Uma audiência final sobre o assunto está marcada para o dia 17 de novembro.

Notícias relacionadas