Quatro números-chave do acordo EUA-China para reduzir emissões

Barack Obama e Xi Jinping (Foto: Getty) Direito de imagem Getty
Image caption Acordo entre americanos e chineses para redução de emissão de carbono tem metas ambiciosas

Os Estados Unidos e a China anunciaram metas ambiciosas para limitar as emissões de gases causadores do efeito estufa no planeta. Os objetivos foram oficializados durante um encontro entre o líder chinês, Xi Jinping, e o presidente americano, Barack Obama, em Pequim.

A BBC Brasil destacou alguns números cruciais para entender o acordo entre os dois países - que, juntos, são responsáveis por cerca de 45% da produção de gases estufa.

Entre os pontos do acordo estão a promessa chinesa de aumentar a participação da energia limpa em sua matriz energética e o compromisso americano de dobrar o ritmo de redução de emissões a partir de 2020.

O acordo deve exercer um papel fundamental na conferência global sobre o clima marcada para dezembro de 2015 em Paris. O encontro discutirá as políticas climáticas a serem adotadas a partir de 2020.

Vencendo obstáculos

Segundo analistas, a negociação entre China e EUA teve de vencer obstáculos políticos: os dois países temiam efeitos econômicos negativos se apenas um deles adotasse iniciativas.

Nos EUA, grupos que se opunham às reduções de emissões de carbono apontavam a relutância do governo chinês em adotar medidas de contrapartida.

Já na China, a oposição vinha de segmentos que argumentavam que as emissões de carbono devem ser medidas com base no critério per capita, ou por habitante.

Recentemente, o país foi criticado por ter utrapassado a União Europeia nesse critério: a China produziu 7,2 toneladas per capita em 2013, enquanto a taxa europeia foi de 6,6 toneladas.

Já os Estados Unidos registraram emissão per capita muito superior, de 16,5 toneladas por pessoa.

Por outro lado, em termos absolutos, a China respondeu por 29% dos 36 bilhões de toneladas de carbono emitidas por todas as fontes humanas em 2013, segundo o Projeto Global de Carbono. Os EUA responderam por 15% e a União Europeia, por 10%.

Veja abaixo quais são os principais pontos dos compromissos assumidos pelas duas potências.

  • 2030 - Teto para a poluição chinesa

A China é um dos países onde as emissões de carbono aumentam mais rapidamente. Hoje, em média o país conclui uma nova usina de carvão a cada dez dias.

Pela primeira vez, o país estabeleceu como meta que essas emissões cheguem ao patamar máximo em 2030 – ou antes disso, se possível – , primeiro passo para a redução dos níveis de poluição do ar.

  • 20% - Fatia renovável na matriz chinesa

Pequim também estabeleceu uma meta ambiciosa de elevar dos atuais 12% para 20% a participação de combustíveis não fósseis em sua matriz energética.

Mas para cumprir a promessa, o país terá que construir usinas nucleares, eólicas e solares em uma escala massiva, até para padrões chineses.

Em um comunicado emitido após o encontro, a Casa Branca disse que a China precisará gerar entre 800 e 1000 gigawatts de energia: essa quantidade equivale à força gerada por todas as usinas de carvão chinesas e a toda a capacidade americana de geração de energia.

  • 26-28% - Redução de emissões pelos EUA

Já os Estados Unidos se comprometeram a reduzir os níveis de emissão de carbono registrados em 2005 para um patamar entre 26% ou 28% menor até o ano de 2025.

A meta seguida anteriormente por Washington era uma redução de 17% até 2020.

A meta americana é vista, porém, como "irrealista" por opositores republicanos. Eles prometem resistir às medidas, argumentando que as ações vão causar demissões nas indústrias e estados afetados e aumentar as tarifas de energia.

  • 2x - Ritmo de redução do EUA

Para alcançar sua meta, os Estados Unidos terão que praticamente dobrar o ritmo de redução das suas emissões de carbono.

A percenagem de redução anual programada para acontecer entre 2005 e 2020 era de 1,2%. Ela terá agora que subir para um patamar entre 2,3% e 2,8% entre 2020 e 2025.