Rússia e China viram ‘alvo’ de líderes ocidentais no G20

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Image caption Cameron, Obama e Dilma se encontraram para foto oficial do encontro do G20 em Brisbane.

O início do encontro dos líderes dos 19 países mais ricos do mundo e da União Europeia, em Brisbane, na Austrália, foi marcado por declarações críticas – diretas e indiretas - de chefes de Estado e de governo de países ocidentais às políticas de Rússia e China no cenário global.

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi sutil ao criticar algumas das ações da China na região do Sudeste Asiático e Pacífico, o primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou à BBC que a Rússia poderia ser alvo de novas sanções caso continue com ações que “desestabilizem a Ucrânia”.

Paralelamente à agenda do G20, os líderes do grupo Brics - formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - também se encontraram em Brisbane na manhã deste sábado (horário local), onde criticaram a demora na implementação de reformas no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Na abertura do encontro dos Brics, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o quadro econômico mundial pouco avançou desde a última reunião do grupo, em julho, e disse que foram “frustradas nossas expectativas iniciais de recuperação da economia mundial”.

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Obama

Em uma palestra a estudantes às margens do encontro do G20, o presidente americano Barack Obama afirmou que a segurança do continente asiático não pode ser baseada no que chamou de “intimidação e coerção” de países pequenos por parte de potências maiores, no que foi interpretado como uma crítica indireta à China.

Na palestra na Universidade de Queensland, Obama ainda afirmou que a segurança na região deve ser baseada em alianças mútuas e disse que “não deve haver questionamento” a respeito do comprometimento dos Estados Unidos com seus aliados na Ásia e no Pacífico.

Embora não tenha mencionado a China explicitamente, segundo o correspondente da BBC Jon Donnison, há nas entrelinhas do discurso de Obama críticas que provavelmente desagradariam o governo de Pequim.

Entre outros pontos, Obama mencionou riscos que podem ser trazidos por disputas territoriais no Mar da China Meridional, onde as ações de Pequim nos últimos anos vêm levantando temores entre os países vizinhos.

Mas, apesar das críticas indiretas, o americano também elogiou o governo chinês, referindo-se ao acordo sobre mudanças climáticas firmado pelos dois países no início da semana e ao fato de a China ter conseguido tirar milhões de pessoas da pobreza.

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Rússia

Mas se as críticas contra as ações da China foram sutis, o governo do presidente russo Vladimir Putin foi alvo de investidas mais diretas por parte do primeiro-ministro do Reino Unido.

Em entrevista à BBC, David Cameron afirmou que “haverá uma relação muito diferente“ entre a Rússia e os países europeus caso “continuemos a ver tropas russas” na Ucrânia, sinalizando que novas sanções poderiam ser adotadas contra Moscou.

A União Europeia aplicou sanções contra a Rússia após a anexação da Crimeia, em março, e implementou outras medidas de retaliação contra o país.

“Se a Rússia continuar a desestabilizar a Ucrânia (...) haverá uma relação muito diferente entre, de um lado, Europa e Grã-Bretanha e, de outro, a Rússia, com potencial para novas sanções”, disse.

Após a entrevista, Cameron e Putin tiveram um encontro bilateral reservado. Após a reunião, um porta-voz do Kremlin afirmou que os dois líderes expressaram o desejo de reconstruir as relações bilaterais.

Os países ocidentais acusam a Rússia de enviar tropas para auxiliar os rebeldes separatistas na Ucrânia, o que Moscou nega. Os conflitos no país do leste europeu já deixaram pelo menos 4 mil mortos desde abril.

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Brics

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Image caption Em reunião de cúpula, líderes do grupo Brics criticaram demora em reformas no FMI.

Na manhã deste sábado, os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul se encontraram para discutir novas ações a serem tomadas pelo grupo Brics.

Após a cúpula, o grupo de países emergentes divulgou uma nota à imprensa onde afirma haver uma “demora injustificada” em implementar reformas no FMI e disse que, caso os Estados Unidos não ratifiquem as reformas acordadas em 2010, o G20 deveria agendar uma discussão sobre os próximos passos relativos à questão.

A presidente Dilma Rousseff abriu o encontro dos Brics com um discurso onde afirmou que as expectativas do grupo a respeito da recuperação da economia mundial foram “frustradas”

“Infelizmente o quadro econômico mundial não avançou muito desde julho último. Chegamos ao final de 2014 vendo frustradas nossas expectativas iniciais de recuperação da economia mundial”, disse.

No encontro, os líderes dos Brics voltaram a discutir a criação de um Banco de Desenvolvimento conjunto. Eles anunciaram passos para a nomeação do presidente e do vice-presidente do banco, cujos nomes devem ser designados antes da próxima reunião do grupo, prevista para julho de 2015.

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