Torturadores de pai de presidente do Chile são presos

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Image caption Augusto Bachelet morreu após sessões de tortura; dois coronéis reformados foram condenados a até três anos de prisão

Dois coronéis reformados foram presos nesta sexta-feira por torturar repetidamente o pai da presidente do Chile, Michelle Bachelet, em 1973.

O general Alberto Bachelet foi preso e submetido à tortura por fazer oposição ao golpe militar liderado pelo general Augusto Pinochet (1915-2006).

Ele morreu em 1974 após uma parada cardíaca causada pela tortura a qual foi submetido.

Os coronéis reformados da Aeronáutica chilena – Ramón Cáceres Jorquera e Edgar Ceballos Jones – foram condenados a três e dois anos de prisão, respectivamente.

Eles "repetidamente cometeram o crime de tortura" com seu superior, afirmou o juiz Mario Carroza ao ler a sentença na capital Santiago.

O porta-voz do governo chileno, Álvaro Elizalde, afirmou que o julgamento foi "mais um passo" rumo à verdade e à justiça de que o país precisava.

Mas um homem que diz ter sido torturado por Ceballos, Sergio Santos, afirmou à agência de notícias AP que as sentenças foram muito "brandas".

"Parece-me um pouco ridículo que, depois de tantos anos de repressão, tortura contra centenas de pessoas de diferentes organizações, eles só peguem três anos de prisão", afirmou ele.

Mais de 40 mil pessoas foram mortas durante o governo de Pinochet no Chile, que durou 17 anos. No período, 3 mil também desapareceram.

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Solitária

Os dois coronéis reformados foram acusados formalmente pelo crime em julho de 2012, depois da conclusão de um relatório forense sobre a morte de Alberto na prisão.

Investigadores afirmaram na ocasião que o pai da presidente do Chile morreu por problemas cardíacos decorrentes das sessões de tortura que se seguiram à sua prisão.

O general havia permanecido leal ao então presidente socialista Salvador Allende, deposto no golpe militar de 1973.

Ele foi mantido preso na academia militar por seis meses e torturado por integrantes da mesma esquadra aérea da qual era responsável antes da derrubada de Allende.

"Fiquei detido na solitária por 26 dias", escreveu ele posteriormente à família. "Fui submetido à tortura por 30 horas. Eles me quebraram todo por dentro".

Alberto morreu no dia 12 de março de 1974, aos 50 anos, depois de uma noite de interrogatórios. Ele estava cumprindo pena por traição na capital do Chile, Santiago.

Sua mulher, Angela Jeria, e sua filha, Michelle, também foram presas e torturadas antes de fugir para a Austrália e para a Alemanha Oriental.

Bachelet tornou-se a primeira mulher presidente do Chile em 2006.

Como a Constituição chilena proíbe a reeleição, ela deixou a presidência após o fim de seu mandato, em 2010. Posteriormente, chefiou a agência da ONU para mulheres antes de voltar à cena política de seu país.

No ano passado, Bachelet voltou a concorrer à presidência e foi eleita novamente para um mandato de quatro anos.