Uber é proibido em Nova Déli após acusação de estupro

Motorista de táxi acusado de estupro na Índia | Foto: BBC
Image caption Homem acusado de estuprar passageira precisou ser protegido de multidão raivosa por policiais

Autoridades de Nova Déli, na Índia, proibiram a empresa responsável pelo aplicativo Uber de atuar na cidade depois que um motorista supostamente estuprou uma passageira.

Avaliado em US$ 40 bilhões (R$ 105 bilhões), o Uber é um aplicativo de carona paga presente em 45 países, incluindo o Brasil.

Uma autoridade do Departamento de Transportes disse que a empresa havia sido "colocada na lista negra" por "enganar os clientes".

A mulher de 26 anos usou o aplicativo de celular para pedir um táxi até sua casa na última sexta-feira, mas diz ter sido levada a uma região isolada e estuprada.

O motorista está preso há três dias. Ele foi detido no domingo e compareceu ao tribunal na manhã desta segunda-feira.

Muitas pessoas se aglomeraram diante do tribunal em protesto. Algumas delas tentaram atacar o homem após o fim da audiência, mas os policiais o levaram rapidamente para dentro do carro.

A polícia diz que o motorista será acusado de estuprar a mulher, que trabalha em uma empresa financeira.

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Image caption Mulher de 26 anos afirma ter sido levada a região isolada e estuprada neste carro

Proibição

O Uber, cujo serviço que está se tornando cada vez mais popular na Índia, foi acusado de não fazer o monitoramento adequado de seus funcionários.

"O Departamento de Transportes proibiu todas as atividades relacionadas com o oferecimento de qualquer serviço de transportes pelo www.uber.com, com efeito imediato", disse um comunicado do governo, segundo a agência de notícias AFP.

Pela proibição, qualquer táxi Uber em Nova Déli poderá receber uma multa ou ser apreendido.

A empresa ainda está aceitando reservas em seu aplicativo e não está claro como a proibição será implementada, já que os táxis cadastrados não têm marca visível.

Antes do anúncio da proibição, a empresa classificou o incidente como "horrível" e informou que faria o possível "para ajudar a levar o responsável à justiça".

"Toda a nossa equipe sente muito pela vítima deste crime terrível. Faremos todo o possível, eu repito, todo o possível para ajudar a levar o responsável à Justiça e para apoiar a vítima e sua família em sua recuperação", disse o CEO do Uber, Travis Kalanick, em um comunicado.

Kalanick afirmou ainda que a empresa "vai trabalhar com o governo para estabelecer checagens sobre o passado (dos motoristas), que atualmente não acontecem em seus programas de licenciamento de transporte comercial".

Image caption Manifestantes protestam contra frequentes casos de violência sexual no país

Polêmicas

Baseado em San Francisco, o Uber disse que a segurança dos passageiros é extremamente importante e que tem informações de GPS de todas as viagens realizadas.

A acusação mais recente de estupro lançou luz novamente sobre a questão da violência sexual contra as mulheres indianas sob os holofotes, após uma série de incidentes recentes.

A notícia ocorre dias após o segundo aniversário do estupro e assassinato de uma estudante em um ônibus em Nova Déli, que causou comoção internacional e provocou endurecimento das leis contra a violência sexual no país.

No entanto, correspondentes da BBC na Índia dizem que nem as leis mais duras têm conseguido diminuir o número de casos de estupro - de acordo com o Escritório Nacional de Registros de Crimes, a Índia teve mais de 33 mil casos em 2013, contra cerca de 25 mil em 2012.

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