'Inclua minha tia em suas orações, não em seus posts', pede parente de brasileira na Austrália

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A polícia australiana teve trabalho para evitar o compartilhamento de mensagens publicadas nas redes sociais por reféns que vinham sendo mantidos desde a manhã de desta segunda-feira (por volta das 21h00 de domingo em Brasília) em um café no centro de Sidney.

O pedido foi espalhado por familiares de uma brasileira que estaria entre as vítimas - esta informação não foi confirmada pelo Itamaraty, que "ainda está buscando confirmações sobre o caso".

Segundo a polícia e os parentes da mulher, o compartilhamento das publicações feitas por reféns pode tornar seus autores vítimas preferenciais do sequestrador, que estaria usando os perfis dos sequestrados como meio de comunicação com o mundo.

A polícia australiana confirmou a recomendação à BBC Brasil. "O procedimento é este: não curtir, comentar ou compartilhar qualquer texto, foto ou vídeo supostamente enviados de dentro do café", informou a corporação. "Isso pode comprometer a investigação e a evolução do caso."

Ameaças

A brasileira supostamente presa teria publicado no Facebook mensagens de dentro do café. Num dos textos, posteriormente apagado, ela dizia que o homem estaria ameaçando os reféns de morte e diria querer que o "mundo saiba que a Austrália está sob ataque do Estado Islâmico".

Páginas na internet divulgaram vídeos que teriam sido gravados dentro do café. Nas imagens, supostos reféns aparecem em frente a uma bandeira preta pedindo ajuda e atenção para as demandas do sequestrador.

Em inglês, uma sobrinha da brasileira supostamente presa publicou: "Aos amigos e familiares, por favor parem de compartilhar status que minha pobre tia publicou porque isso pode causar mais problemas que alívio. Ela pode ser tornar um alvo preferencial para o atirador. Agradeço todas as palavras e orações".

Outra parente fez postagem similar. "Por favor, parem de curtir, comentar ou compartilhar publicações feitas pela minha tia. Estas postagens não são nada além da meneira que o homem armado encontrou para se comunicar e assustar as pessoas. Compartilhando essas postagens, vocês estão colocando minha tia em perigo e a tornando um alvo preferencial para o atirador. A polícia está a par de tudo que está acontecendo. Obrigado."

À BBC Brasil, o Itamaraty disse que informou à polícia australiana sobre os boatos da presença de até dois brasileiros entre os reféns, mas disse não ter informações suficientes para confirmar ou não a veracidade das informações.

Assim como boa parte do centro de Sidney, o consulado brasileiro foi evacuado para facilitar a operação policial no local.

Pelo Facebook, o consulado-geral do Brasil em Sidney também comentou o caso. "O consulado comunicou à Polícia de Nova Gales do Sul as informações veiculadas no Brasil segundo as quais haveria dois brasileiros entre os reféns no Café Lindt. As autoridades policiais australianas reiteraram sua disposição de garantir a retirada segura de todos os reféns do cerco em Martin Place", diz a postagem.