Mau tempo pode derrubar avião?

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Image caption Queda do voo da AirAsia lança luz sobre a influência das condições meteorológicas adversas em acidentes aéreos

O Airbus A320-200 da AirAsia, cujos primeiros destroços foram encontrados nesta terça-feira, teria atravessado grandes nuvens de tempestade antes de desaparecer dos radares.

O voo QZ8501 seguia de Surubaya, na Indonésia, para Cingapura e desapareceu quando sobrevoava o Mar de Java. O avião transportava 137 adultos e 18 crianças, além de sete tripulantes.

Nesta terça-feira, a Indonésia confirmou que os corpos e destroços encontrados no Mar de Java são da aeronave da AirAsia, que desapareceu no domingo, 28, segundo um comunicado da companhia aérea.

Autoridades de aviação locais afirmaram que o capitão pediu permissão para elevar a altitude do avião, mas que, após a permissão ser concedida, a comunicação com a aeronave foi perdida.

Ainda não se sabe o que causou a queda do aparelho. Mas especulações apontam para um possível papel do mau tempo na tragédia; mas, afinal, tempestades são capazes de derrubar aeronaves?

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Image caption Destroços do voo QZ8501 foram encontrados nesta terça-feira

Segundo Gloria Kulesa, da Administração de Aviação Federal, órgão regulador da aviação civil nos Estados Unidos, o tempo é o principal fator de 23% de todos os acidentes aéreos – com ou sem gravidade – em todo o mundo.

Todas as vezes que um avião desaparece dentro ou mesmo perto de uma tempestade, há especulações sobre como as condições atmosféricas podem afetar o desempenho de uma aeronave.

Foi o que aconteceu com o Air France 447, que caiu no Oceano Atlântico em 2009 com 228 pessoas a bordo, a maioria brasileiros e franceses. As investigações apontaram para uma sucessão de falhas técnicas e humanas, a partir do congelamento dos chamados tubos pitot (sensores que medem a altitude e a velocidade do avião).

Especialistas afirmam, entretanto, ser pouco provável que apenas o mau tempo possa derrubar aeronaves. Em vez disso, como os pilotos e a tripulação reagem a uma adversidade determina se um incidente será fatal ou não, diz Sylvia Wrigley, comandante e autora de um livro sobre acidentes aéreos.

"Não consigo me lembrar de nenhum acidente em que o mau tempo foi a única causa do problema", diz ela. "Mas pode haver situações nas quais as condições meteorológicas elevam os riscos de que algo dê errado numa aeronave", acrescenta.

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Tempestades muitos fortes podem avariar consideravelmente as asas de pequenas aeronaves, mas, normalmente, pilotos e controles de tráfego aéreo se esforçam ao máximo para evitá-las, mantendo uma distância mínima de 16 km.

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Além disso, radares meteorológicos acoplados nos bicos dos aviões permitem detectar fenômenos atmosféricos adversos com relativa facilidade, reduzindo os riscos para a aeronave.

O congelamento das asas ou da cauda também pode causar a queda do aparelho, mas pilotos são treinados para evitar situações como essas. As asas são equipadas com "fios estáticos", que dissipam a eletricidade de relâmpagos com segurança. Estima-se que uma aeronave comercial seja atingida por raios pelo menos uma vez todos os anos.

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Image caption Parentes de voo da AirAsia souberam de mortes pela TV

São pequenas as chances, contudo, de que acidentes sejam causados por falhas dos pilotos em lidar com o mau tempo em altas altitudes. A Organização da Aviação Civil Internacional calcula que mais da metade de todos os acidentes ocorridos entre 2006 e 2011 tenha sido relacionados a pousos e decolagens.