Republicanos assumem Congresso e impulsionam agenda 'anti-Obama'

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Image caption Imigração e Irã estão entre os temas que devem mobilizar esforços da bancada conservadora

Com o início nesta terça-feira da nova legislatura no Congresso americano, o Partido Republicano – que controlará as duas Casas – deverá aproveitar sua maioria para tentar reverter políticas do governo do presidente Barack Obama e aprovar projetos que vinham sendo barrados por congressistas Democratas.

A vantagem dos Republicanos no Senado e na Casa dos Representantes (Câmara dos Deputados) é a mais folgada desde a Segunda Guerra Mundial e está garantida por pelo menos dois anos, até 2017.

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Veja os principais temas que devem mobilizar os esforços da bancada conservadora nos próximos meses.

1. Oleoduto de Keystone XL

O projeto, discutido há anos pelo Congresso e pelo governo americano, foi o primeiro a entrar na pauta legislativa nesta terça e é uma das prioridades dos Republicanos.

Eles dizem que o oleoduto criaria empregos, baixaria o preço da gasolina e reduziria a dependência americana de outros países produtores de petróleo. Alguns congressistas Democratas também apoiam o projeto.

A obra se estenderia da província canadense de Alberta, uma das novas fronteiras na exploração petrolífera na América do Norte, até o Estado americano de Nebraska, no centro do país. De lá, os canais se conectariam a um oleoduto já existente e que se estende até a região do Golfo, no sul dos Estados Unidos, onde o produto poderia ser refinado ou exportado.

O oleoduto poderia transportar 830 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a um terço de toda a produção diária de petróleo no Brasil.

Mas o governo americano diz que o projeto ameaçaria ecossistemas sensíveis e confrontaria esforços para reduzir o uso de combustíveis fósseis no país, uma das principais bandeiras ambientais de Obama. Também se opõem ao oleoduto ambientalistas e várias comunidades que estão na rota do projeto.

A Casa Branca anunciou nesta terça que, mesmo aprovado nas duas Casas, o projeto seria vetado por Obama. O Congresso poderia tentar reverter o veto presidencial, mas, apesar da maioria Republicana, dificilmente a bancada conseguiria os votos necessários.

2. Planos de saúde

Republicanos ameaçam cortar o financiamento de um programa governamental que visa garantir que os americanos mais pobres tenham acesso a planos de saúde.

Aprovada em 2010 por Obama, a medida foi a maior ação do governo americano no campo da saúde em várias décadas. Diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos a saúde não é considerada uma responsabilidade estatal, e a grande maioria dos serviços médicos é paga.

A lei aprovada por Obama passou a exigir que todos os americanos tivessem planos de saúde e que todas as empresas com mais de 50 funcionários fixos oferecessem cobertura médica aos empregados.

Estima-se que, antes da medida, cerca de 15% da população americana não tinha qualquer plano de saúde.

Para os Republicanos, porém, Obama interferiu indevidamente em negócios privados e decisões individuais dos cidadãos americanos. Eles dizem ainda que a ação do presidente fechou postos de trabalho e impôs um alto custo aos cofres públicos.

Opositores da medida levaram o caso à Suprema Corte, que deve decidir em junho se a política viola ou não a Constituição. Enquanto isso, congressistas Republicanos dizem trabalhar numa nova política para o setor que substitua a reforma de Obama.

3. Imigração

No fim do ano passado, Obama alterou a política migratória americana por conta própria, sem passar pelo Congresso. Dentre as mudanças aprovadas está a permissão para que mais de 4 milhões de imigrantes que entraram nos Estados Unidos ilegalmente solicitem autorizações de trabalho.

Republicanos condenaram a ação, dizendo que Obama foi além de suas atribuições. Eles ameaçam suspender o financiamento do departamento responsável pela segurança interna americana, inclusive o policiamento de fronteiras, para pressionar Obama a recuar.

O orçamento aprovado para o órgão expira em fevereiro. Analistas afirmam, no entanto, que a estratégia pode se voltar contra os próprios Republicanos, já que eleitores podem condenar a ação.

4. Cuba e Irã

]Quando Obama anunciou em dezembro a retomada das relações diplomáticas com Cuba, Republicanos afirmaram que tentariam frear a movimentação. Eles defendem manter a pressão sobre Havana para pressionar o governo cubano a promover reformas democráticas e econômicas e disseram considerar, por exemplo, negar o financiamento para a reabertura da embaixada americana em Havana.

Republicanos também se recusam a discutir o fim do embargo comercial americano a Cuba, medida que depende do aval do Congresso americano. Com isso, a normalização das relações entre os dois países pode ficar bloquada.

A bancada conservadora também pretende endurecer as sanções com o Irã, para forçá-lo a desistir do seu programa nuclear. A Casa Branca diz, contudo, que novas sanções podem arruinar negociações internacionais que estão em curso e buscam uma solução para o impasse.

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