Confira os maiores atentados terroristas na França

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Image caption Irmãos Chérif e Saïd Kouachi são acusados de ter matado 12 pessoas na redação do semanário satírico Charlie Hebdo

Os atentados que mataram 17 pessoas nesta semana em Paris são os principais, em número de mortos, cometidos na França em mais de 50 anos, desde o fim da guerra contra a Argélia (1954-1962).

Os irmãos Saïd e Chérif Kouachi mataram 12 pessoas no ataque contra a revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, na quarta-feira. Amedy Coulibaly, que reivindicou uma ação coordenada com os irmãos, matou uma policial municipal na quinta-feira e, um dia depois, quatro pessoas em um supermercado judaico no leste da capital.

Os três suspeitos dos ataques em Paris foram abatidos em cercos policiais na sexta-feira.

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O maior atentado terrorista na França, em número de mortes, ocorreu em 1961, quando 28 pessoas morreram na explosão de uma bomba em um trem ligando Estrasburgo, no leste do país, a Paris.

Esse ataque teria sido planejado pela chamada "Organização do Exército Secreto" (OAS, na sigla em francês), que defendia a presença francesa na Argélia.

Em 1995, uma onda de atentados na França atribuídos oficialmente a extremistas argelinos do Grupo Islâmico Armado (GIA), entre eles o ocorrido na estação de metrô Saint-Michel, matou oito pessoas e deixou quase 200 feridas.

Esses ataques a bomba, realizados entre julho e outubro de 1995, estão entre os que mais provocaram feridos. No total, foram oito atentados.

Outros ataques com explosivos em 1996, na estação de Port Royal, matou quatro pessoas e deixou cerca de uma centena de feridos. Estima-se que esse atentado, muito semelhante aos de 1995, também tenha sido cometido pelo GIA, mas nesse caso não há provas oficiais.

Vítimas

Sobreviventes e parentes das 17 vítimas dos ataques cometidos nesta semana na capital francesa participaram neste domingo da marcha em Paris em homenagem aos mortos e também para defender a liberdade de expressão e a democracia e manifestar o repúdio ao terrorismo.

Os familiares e sobreviventes abriram o cortejo na capital, seguidos pelo grupo de quase 50 chefes de Estado e de governo que também participaram da passeata, realizada sob forte esquema de segurança.

O presidente francês, François Hollande, conversou na manifestação com sobreviventes e familiares das vítimas e abraçou vários deles.

Maeva Cohen, prima de Yohan Cohen, um dos quatro reféns mortos por Coulibaly no supermercado judaico, afirmou neste domingo ao canal de TV France 2 que Yohan, que era funcionário da loja, teria sido assassinado ao tentar desarmar o atirador, segundo relatos de testemunhas no local.

"Ao vermos os reféns saindo correndo do supermercado, após a ação da polícia, achamos que ele estava no meio das pessoas", disse a prima.

"Como ele não aparecia e não respondia as ligações, achamos então que ele faria parte dos feridos. Mas logo nossa esperança acabou. Fomos informados de que ele estava morto. Ele partiu como um herói", disse Maeva Cohen.

Outro jovem que também tentou desarmar Coulibaly, segundo um familiar, foi o estudante Yohav Hattab, 22 anos, filho do grande rabino da Tunísia e que iria se casar em breve.

Jérémy Ganz, que também participou da passeata em Paris, trabalhava com Frédéric Boisseau, a primeira vítima dos irmãos Kouachi.

Funcionário da empresa Sodexo, era o primeiro dia de trabalho de Boisseau como agente de manutenção no prédio. Ele foi morto no térreo.

"Eu pensei que eles eram policiais das tropas de elite por causa das roupas e das armas. Eles perguntaram onde era a redação da Charlie Hebdo. Eu nem sabia que a sede da revista era ali", contou Ganz ao canal France 2.

"Eles atiraram e feriram Boisseau. Fomos nos esconder no banheiro e ele morreu ali. Suas últimas palavras foram para seus filhos", contou o companheiro de trabalho. Boisseau tinha 2 filhos, de 10 e 12 anos.

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Image caption Último ataque na França ocorreu em 2012 e foi perpetrado por Mohammed Merah, de 23 anos

Em lágrimas e inconsolável na frente do cortejo de sobreviventes e familiares, estava o médico Patrick Pelloux, colunista da Charlie Hebdo, uma das primeiras pessoas a entrar na sede da revista após o tiroteio.

Na hora do ataque, ele estava na rua, a cerca de 200 metros do prédio. Nas entrevistas que concedeu, sempre muito emocionado, Pelloux lamentou não ter conseguido salvar os amigos.

"Foi horrível, muitos estavam mortos. Eles foram executados. O jornal vai continuar. Os terroristas não ganharam, vamos escrever com nossas lágrimas", declarou Pelloux.

O último ataque terrorista na França ocorreu em 2012. Em oito dias, Mohamed Merah, 23 anos, assassinou a tiros sete pessoas: três militares, três crianças e um professor de uma escola judaica em Toulouse, no sudoeste da França. Ele foi morto em um cerco policial que durou mais de 30 horas.

Como Chérif e Coulibaly, Merah também teria se tornado um radical islâmico na prisão.