Três iniciativas que enriqueceram a Coreia do Sul

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Image caption Samsung talvez seja a marca sul-coreana mais famosa do mundo

A Guerra da Coreia, entre 1950 e 1953, deixou a península coreana dividida e profundamente empobrecida. O Sul tinha um PIB per capita menor que o de muitos países africanos.

Hoje, o país é uma das maiores economias do mundo e um gigante de manufatura.

E mais: a Coreia do Sul conseguiu isso tendo poucos recursos naturais, tanto que é o quarto maior importador de petróleo do mundo.

Mas como o país conseguiu promover essa mudança?

A BBC fez essa pergunta ao professor Jasper Kim, da Universidade Ewha de Estudos Internacionais, em Seul. A seguir, eis o que ele vê como a estratégia sul-coreana - que inclui medidas polêmicas, autoritárias ou mesmo incomuns no Ocidente - para seu milagre econômico:

1. Aposte em si mesmo

A Coreia do Sul criou algo a partir do nada ao apostar no único recurso que tinha: seu povo.

Tanto o governo quanto as famílias perceberam o valor da educação e investiram nela em níveis extraordinários.

Essa aposta resultou na formação de engenheiros e operários necessários para desenvolver uma base manufatureira sobre a qual a economia pudesse florescer.

2. Os fins justificam os meios

O presidente Park Chung-Hee assumiu o poder em um golpe militar em 1961. Durante seu mandato de 18 anos, comandou um grande programa de desenvolvimento industrial, que alçou a economia sul-coreana a seu patamar atual.

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Image caption Autoritário, o governo de Park Chung-Hee foi marcado por um forte programa de desenvolvimento

Ele foi também uma figura controversa e autoritária, que implementou a lei marcial no país e mudou a Constituição para aumentar seus próprios poderes.

Park usou seu poder para forçar coreanos ricos que ele considerava corruptos a investir na indústria do próprio país, criar um setor de construção naval, etc.

Ainda que o professor Kim duvide que tais medidas funcionassem na Coreia do Sul atual, ele diz que as iniciativas foram importantes num momento em que o país ainda estava devastado pela guerra, nos anos 1960 e 70.

A ditadura de Park acabou com seu assassinato, em 1979, mas sua filha, Park Geun-Hye, hoje preside o país.

3. Tudo em família

O sucesso econômico sul-coreano é baseado no modelo "Chaebol": conglomerados de negócios que costumam ser associados com uma única família.

Image caption Professor Kim explica "receita" sul-coreana para o sucesso econômico

A Samsung, possivelmente a mais famosa marca do país, está nas mãos da família Lee desde sua fundação, em 1938.

Lee Kun Hee, 72, recebeu o controle da gigante manufatureira das mãos de seu pai em 1987 e seu provável sucessor é seu filho, Lee Jae Yong, 46.

No Ocidente, a ideia de que o melhor CEO ou presidente para a sua empresa é automaticamente o filho do dono seria considerada antiquada e, provavelmente, uma má ideia.

Mas o professor Kim argumenta que, na Coreia, a transferência de comando dentro da própria família tem dado resultados melhores, e a estabilidade derivada dela pode ter contribuído para o sucesso sul-coreano.

Ele diz também que os filhos de famílias poderosas são cuidadosamente preparados desde cedo para tais tarefas.

Mas o princípio hereditário está prestes a enfrentar um obstáculo, que pode afastar empresas como a Samsung de seu tradicional modelo de controle familiar.

Lee Kun Hee foi hospitalizado em maio do ano passado após sofrer um ataque cardíaco. No caso de sua morte, impostos sobre sua herança podem chegar a US$ 5 bilhões, segundo a Bloomberg - quantia capaz de pôr fim ao controle da família.