#SalaSocial: Brasileiros defendem pena de morte a traficantes na Indonesia

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Image caption Dois brasileiros foram condenados a fuzilamento por tráfico de drogas na Indonésia

Embora a mais recente pesquisa sobre pena de morte no país indique que brasileiros são contra este tipo de punição, a maioria dos internautas consultados pela BBC Brasil defende a execução de dois conterrâneos condenados por tráfico de drogas na Indonésia.

O assunto gerou 1.250 comentários inflamados em menos de 24 horas na página da BBC Brasil no Facebook. Enquanto uma minoria defende clemência, penas alternativas e prega a ineficiência da pena de morte, os comentários mais elogiados sugerem que traficantes deveriam morrer "para dar exemplo".

"Campanha por traficante? Estão achando que todo mundo é como aqui?", dizia o comentário mais aprovado, com 515 likes. O leitor que afirmou que "Ele não pensou nas dezenas de famílias que iria destruir com 13,4 kg de cocaína".

Comentários em defesa dos direitos humanos repercutiram bem menos. O principal deles - "Violência gera violência. Vocês ainda não aprenderam isto?" - gerou apenas 18 curtidas e várias críticas de internautas.

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Condenação

Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, foi condenado em 2004 por tráfico de drogas ao tentar entrar no país com 13,4 kg de cocaína.

Seu fuzilamento está marcado para este domingo, à revelia dos pedidos da presidente Dilma Rousseff que, após uma semana de tentativas, apelou pessoalmente ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, para que a vida de Moreira fosse poupada.

Em vão, os pedidos da presidente também se referiam ao paranaense Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42 anos, cuja execução pode acontecer em fevereiro.

A administração da petista foi alvo de boa parte dos ataques nas redes sociais.

"Parabéns à Indonésia, que dá uma lição ao Brasil de como se deve tratar os traficantes", escreveu um leitor. "Vamos importar o presidente da Indonésia pro nosso Brasil", afirmou outro.

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Image caption Caso a pena de Archer seja cumprida, será o primeiro brasileiro executado por um governo estrangeiro

Contradição

Pesquisa feita pelo instituto Datafolha em outubro de 2014 apontou que 43% dos brasileiros acreditam que a pena de morte seria a melhor forma de punição para indivíduos que cometem crimes graves (em novembro de 2013 eram 47%).

Segundo o mesmo levantamento, na opinião de 52% dos entrevistados não caberia à Justiça matar uma pessoa, mesmo em caso de crime considerado grave.

A maior agressividade nas posições expressadas pela internet e diferença entre o resultado nas ruas e nas redes sociais não são surpresa para Ana Freitas, especialista em comportamento e mídias digitais.

Para ela, estas opiniões, diferente de revelarem a posição da maioria, mostrariam apenas que os adeptos de "soluções" extremas teriam mais disposição em se expor na internet do que os moderados ou sem opinião definida.

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Comoção

"Há pessoas que gritam mais alto, mas só por isso elas são maioria?", pergunta Freitas. "Os extremistas vão sempre querer se impor, é característica deles, eles querem ser ouvidos. Como recorte, portanto, os comentários não necessariamente correspondem à realidade", diz.

A especialista também alerta para a interferência do formato dos comentários online no discurso dos usuários.

"No texto perde-se entonação, por exemplo. Você também não se escuta quando está escrevendo. A caixa de comentários do Facebook ou dos sites de notícias permite que se comece e termine um comentário sem interrupção ou questionamento, é uma lógica despersonalizada. Pessoalmente, no olho no olho, o comentário negativo é mais difícil, mais ponderado.

Ela completa: "A gente perde um pouco a humanidade atrás de uma tela de computador".

Comentários

Leia alguns dos comentários - favoráveis e contrários à pena de morte - publicados no perfil da BBC Brasil no Facebook:

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