'Boko Haram sequestra dezenas' de pessoas em Camarões

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Image caption Criado na Nigéria, Boko Haram começa a ameaçar nações vizinhas

O grupo extremista nigeriano Boko Haram é suspeito de ter sequestrado dezenas de pessoas, a maioria delas crianças, em Camarões.

Segundo autoridades do país, o ataque aconteceu em uma vila na fronteira entre os dois países.

Quatro moradores morreram ao tentar resistir aos militantes, disse à BBC uma fonte das forças de segurança.

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O Boko Haram já assumiu o controle de diversas cidades no norte da Nigéria e agora começa a ameaçar nações vizinhas.

O Chade também faz fronteira com a Nigéria e já enviou soldados a Camarões para combater os jihadistas.

Casas incendiadas

De acordo com o correspondente da BBC Randy Sa'ah, que está na capital de Camarões, Yaounde, esta é a primeira vez que moradores de vilas do país são sequestrados pelos supostos militantes.

Sequestros anteriormente promovidos pelo Boko Haram na Nigéria tinham alvos específicos, como pessoas notórias ou estrangeiros selecionados aleatoriamente, diz Sa'ah.

Uma fonte contou à BBC que as vilas de Maki e Mada, no distrito de Tourou, no norte do país, foram atacadas. Elas ficam a 6km da fronteira.

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Os supostos combatentes chegaram na madrugada de domingo, quando ainda estava escuro, e foram em direção à Nigéria levando muitos reféns.

O ministro de Informação de Camarões, Issa Tchiroma Bakary, confirmou os ataques, dizendo que entre 30 e 50 pessoas foram levadas - embora tenha afirmado ser difícil estabelecer o número exato e que investigações estão em curso.

"Eles incendiaram quase 80 casas", disse Bakary.

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Image caption Exército não consegue prender militantes depois que eles cruzam a fronteira

Mulheres e crianças

Um policial disse à agência de notícias AFP que há cerca de 60 reféns, destacando que "a maioria eram mulheres e crianças".

Autoridades disseram à agência Reuters que em torno de 80 pessoas tinham sido sequestradas. Entre eles, estariam 30 adultos e 50 crianças com idades entre 10 e 15 anos, segundo informou um oficial enviado ao norte de Camarões.

Camarões criticou a Nigéria por considerar que o país não faz o suficiente para combater o Boko Haram.

Sa'ah, da BBC, explica que milhares de pessoas já deixaram a Nigéria rumo a Camarões por causa do ataque de militantes.

"Há uma grande ansiedade no norte camaronense, porque os ataques estão ficando mais frequentes - e cada vez mais combatentes participam deles. Os militares também estão frustrados, porque não conseguem perseguir os insurgentes depois que eles cruzam a fronteira de volta para a Nigéria", afirma Sa'ah.

O correspondente destaca que milhares de solados já atuam no norte para conter os ataques, que se tornarão mais intensos segundo o líder do grupo.

"Mas a fronteira é longa e tem muitos pontos onde a segurança é falha, por isso tem sido difícil policiá-la."

O Boko Haram já sequestrou muitas pessoas no nordeste da Nigéria, inclusive mais de 200 estudantes em abril do ano passado.

Isso gerou revolta ao redor do mundo e uma campanha nas redes sociais sob a hashtag #BringBackOurGirls (tragam nossas meninas de volta, numa tradução livre) para cobrar uma ação mais energética das autoridades.

Nenhuma das estudantes ainda foi achada.

Os sequestros de domingo parecem ser mais uma evidência de que o Boko Haram está realizando uma campanha regional de violência.

Na sexta-feira, o presidente de Gana, John Mahama, disse que líderes africanos discutiriam planos de uma força multinacional para "lidar permanentemente" com o Boko Haram.

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