Tabloide britânico põe fim a tradição de modelos topless na página 3

Jornal 'The Sun' (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Tabloide publica fotos de mulheres na Página 3 há 44 anos

O tabloide britânico The Sun não trará mais as tradicionais fotos de mulheres fazendo topless na "Página 3", informa o The Times, jornal do mesmo conglomerado.

A edição de sexta-feira do The Sun teria sido a última com fotos do tipo, mas elas continuarão a ser publicadas online.

A "Página 3" começou a ser publicada pelo jornal em 1969, mas sempre foi alvo de críticas por ser considerada sexista - e, com o passar dos anos, antiquada.

O Sun, no entanto, não confirmou a informação. Dylan Sharpe, chefe de relações públicas da publicação, tuitou na segunda-feira que "a página 3 estará no The Sun no mesmo lugar de sempre - entre as páginas 2 e 4".

O jornal já havia parado de publicar fotos com topless nos fins de semana e algumas vezes em dias de semana.

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O Times disse que o Sun decidiu desistir das fotos de topless sem fazer muito alarde e que o presidente-executivo do conglomerado News Corp, Rupert Murdoch, aprovou a decisão.

As fotos de topless há tempos são alvos de protestos de ativistas, e uma petição online em oposição a elas obteve mais de 215 mil assinaturas até o momento.

'Objetificação'

Em 2012, foi fundado o grupo chamado "No More Page Three" (Chega de Página 3) que, desde então, obteve apoio de diversos parlamentares britânicos e organizações feministas.

A fundadora do grupo, Lucy-Anne Holmes, disse que não vai comemorar o fato se mulheres em trajes sumários continuarem a aparecer no jornal, mas afirmou que o fim dos topless é "um passo na direção certa".

"O Sun não decidiu de repente que as mulheres dizem, pensam e fazem coisas interessantes e incríveis, ainda diz que as mulheres servem para decoração", afirmou Holmes à BBC.

A parlamentar Stella Creasy, também ativista contra a Página 3, afirmou que "a objetificação das mulheres dessa forma era basicamente uma forma de dizer que o que importa, francamente, eram nossos seios e não nossos cérebros".

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Para o comentarista de mídia Steve Hewlett a página era vista como "motivo de vergonha" e seu fim é um indício de que o jornal está "tentando se reinventar no mundo pós-escândalos de grampos de telefones". Ele se refere aos escândalos de escutas ilegais de pessoas conhecidas do público britânico e que, em 2011, resultaram no fim do jornal dominical News of the World, também de Rupert Murdoch.

Além disso, quem quer ver nudez ainda poderá fazê-lo com facilidade na internet - tanto que a Página 3 continuará disponível online, explica o repórter da BBC John McManus.

Em contrapartida, a ex-modelo topless Nicola McLean defendeu a Página 3 dizendo não achar que seja algo "antiquado". "Acho que as garotas estão fantásticas na página, elas claramente ainda curtem o que fazem, e as pessoas ainda querem vê-las."