Conheça sete das estradas mais perigosas do mundo

Rodovia Transfăgărășan, na Romênia Direito de imagem Getty
Image caption O programa 'Top Gear' elegeu a estrada romena como a melhor do mundo

Como o poeta americano Robert Frost sabia bem, o caminho menos trilhado é sempre a escolha mais interessante – pelo menos quando se trata de uma viagem.

Para tentar encontrar algumas das rotas menos percorridas e mais preciosas do planeta, perguntamos a usuários do site tira-dúvidas Quora: "Quais são as estradas mais interessantes do mundo?".

Enquanto alguns internautas descreveram rotas que atravessam as regiões mais frias do mundo ou túneis com apenas 4 metros de largura, outros recomendaram estradas que, além de interessantes, são também perigosas. Conheça-as aqui.

Rodovia Nacional 5, Madagascar

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Image caption A estrada em Madagáscar é tão rústica que muitos levam 24 horas para percorrer seus 200 km

Para percorrer a Rodovia Nacional 5, que vai de norte a sul entre as cidades de Maroantsetra e Soanierana-Ivongo, na costa leste deste país africano, "você precisa contratar um motorista e um mecânico", conta Anders Alm, diretor de tecnologia da WAU, uma agência de viagens que oferece excursões regulares para a ilha. "Se você está cansado do concreto, essa estrada pode ser a única maneira de mudar radicalmente".

Com trechos de areia, pedras e até pontes em ruínas que o motorista precisa inspecionar antes de cruzar, a via tem 200 quilômetros, mas pode levar até 24 horas para ser percorrida de carro.

O percurso se torna particularmente arriscado durante a estação chuvosa (de dezembro a março), quando a falta de pavimentação faz a estrada ficar intransponível em vários pontos.

O lado bom? A maior parte da Rodovia Nacional 5 passa ao lado de um litoral de belas praias de areia branca e oferece vistas incríveis de florestas de palmeiras e do Oceano Índico.

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Passagem Rohtang, Índia

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Image caption Beirando os Himalaias, a Rohtang é sujeita a frequentes avalanches

Traduzido literalmente, o termo "rohtang" significa "pilha de cadáveres" – um nome que tem sua origem nos terríveis e mortais deslizamentos de terra que frequentemente cobrem esta estrada, localizada a 4.000 metros de altitude no leste dos Himalaias.

Isso sem falar no clima imprevisível da região, que inclui tempestades de neve e avalanches súbitas.

"Todo ano, as autoridades rodoviárias usam GPS para reencontrar a estrada sob a lama e o gelo e para retirar dela todos os escombros", diz Witold Chrab, engenheiro de Washington que percorreu a estrada de moto, em 2011.

Uma vez reaberta, a passagem é transitável entre maio e novembro. Mas a neve pode interromper o tráfego a qualquer momento. Em 2010, quase 300 turistas ficaram retidos no local.

Um túnel de 8 quilômetros está sendo construído sob a passagem para oferecer uma alternativa mais segura. Mas a rota original, que liga os vales de Kulu, Lahual e Spiti, no ponto mais ao norte da Índia, atrai os visitantes com suas vistas para as acidentadas cordilheiras, os profundos vales e um ou outro bode montanhês.

Rodovia Transfăgărășan, Romênia

A segunda estrada mais elevada da Romênia é famosa entre os entusiastas do mundo automotivo – seus 90 quilômetros de curvas acentuadas e ladeiras íngremes deram a ela o título de "melhor estrada do mundo" entre a equipe do programa Top Gear, da BBC. Mas são poucos os motoristas comuns que a conhecem.

Construída nos anos 70 para ser uma rota de uso militar para o caso de uma invasão, a estrada liga as duas montanhas mais altas do sul dos Cárpatos, Moldoveanu e Negoiu, e chega aos 2.034 metros de altitude.

"Se você gosta de trocar de marcha a cada três ou quatro segundos, vai se divertir aqui", diz o romeno Razvan Baba. Quer ainda mais diversão? Segundo Baba, é difícil encontrar algum policial para fiscalizar o limite de velocidade de 40 km/h. Mas ele avisa: acelerar nessas curvas é quase impossível.

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Eyre Highway, Austrália

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Image caption A Eyre Highway é famosa na Austrália pela grande quantidade de animais selvagens na pista

Carl Logan, um policial de Perth, alerta os demais internautas que esta faixa de 1.100 quilômetros no sul da Austrália pode parecer "chata e monótona" à primeira vista, mas na verdade propicia grandes aventuras – principalmente por causa dos animais que vivem por ali.

"Você poderá avistar cangurus, emas e até camelos", conta. Os animais selvagens tornam a estrada mais perigosa, já que eles podem danificar gravemente um veículo.

As horas mais arriscadas para percorrer a via, que liga as cidades de Norseman e Ceduna, são o amanhecer e o pôr-do-sol, quando a maioria dos animais tenta atravessá-la.

Mas aqueles que decidirem viajar de noite são recompensados. "Como não há nenhuma aglomeração urbana por perto, as estrelas serão as mais brilhantes que você vai ver em toda a sua vida", diz Logan.

Rodovia Prithvi, Nepal

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Image caption Apesar do visual, muitos viajantes caíram nos abismos da estrada nepalesa

Esta estrada percorre 174 quilômetros entre Katmandu e Pokhara, e passa por locais como o Annapurna, a décima montanha mais alta do mundo, e o parque nacional ao redor dela.

Mas as vistas espetaculares oferecidas na viagem podem custar caro. "Além do lindo visual dos Himalaias, você vai encontrar veículos que acabaram caindo nos abismos", diz Janet M. Foley, moradora de Las Vegas que recentemente percorreu a estrada.

A rota também passa por alguns dos lugares religiosos mais importantes do país, como o templo sagrado de Manakamana.

Foley conta que para aproveitar melhor a estrada, o melhor é percorrê-la em um só sentido e depois voltar de avião, em vez de testar a sorte duas vezes.

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Rodovia Kolyma, Rússia

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Image caption Atravessando mais de 2 mil km na Sibéria, essa estrada enfrenta neve mesmo no verão

Os moradores locais chamam a Kolyma, ou M56, de "Trassa", ou seja "A Estrada", por ser a única via principal nesta região desolada e congelada do leste da Sibéria.

Outro apelido é "estrada dos ossos", em referência à trágica história da rodovia: ela foi construída pelas centenas de milhares de prisioneiros políticos que foram exilados na região durante o regime de Josef Stalin, entre os anos 30 e os anos 50.

Milhares foram fuzilados por não trabalharem duro, enquanto outros morreram por causa das condições brutais do lugar. O frio também fez suas vítimas: com temperaturas que podem chegar a -70ºC, a Kolyma fica na área inabitada mais gelada do mundo.

Muitos dos mortos eram simplesmente enterrados sob as fundações da estrada.

Depois de ter passado décadas sem manutenção, a estrada foi percorrida de moto pelo ator Ewan McGregor e pelo apresentador Charlie Boorman em 2004 para um programa de televisão da Grã-Bretanha.

A Kolyma se tornou rodovia federal em 2008 e começou a atrair motoqueiros particularmente aventureiros e amantes do frio.

Hoje, os 2.031 quilômetros de estrada ainda são conhecidos como "os mais gelados do mundo", diz o viajante Fillipp Peresadilo, com neve caindo mesmo nos meses de verão.

Ela também continua a ser uma das mais desertas estradas do planeta, já que poucos viajantes a conhecem e não sabem sua trágica história.

Túnel Guoliang, China

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Image caption Moradores de Guoliang, no alto de um penhasco, construíram um túnel com suas próprias mãos

Durante várias décadas, o pequeno vilarejo de Guoliang, localizado no topo de um penhasco na cordilheira de Taihang, no leste da China, só podia ser visitado por quem escalasse a montanha a pé.

Depois que o governo se recusou a construir uma estrada para o local, os residentes decidiram arregaçar as mangas. De 1972 a 1977, eles usaram explosivos e pás para cavar um túnel de 1,2 quilômetros. Alguns morreram na empreitada.

Perigosa ao ser construída, a estrada também é arriscada para ser percorrida de carro. Empoleirado no topo de um penhasco e medindo apenas 4 metros de largura, o túnel é particularmente traiçoeiro depois das chuvas, por se tornar muito escorregadio.

Trinta "janelas" abertas nas paredes de pedra, no entanto, dão ao viajante chance de vislumbrar o vale lá embaixo.

"A China é o melhor lugar para visitar se você está procurando estradas radicais", diz o internauta Lewis Shaw. "Só não se atreva a olhar para baixo!".

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Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Travel.