Rebeldes rejeitam negociações de paz e ameaçam ofensiva na Ucrânia

Tanque rebelde em Donetsk | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Rebeldes forçaram a saída de soldados ucranianos do aeroporto de Donetsk após confronto

Ameaças e trocas de acusações entre rebeldes separatistas e o governo ucraniano prometem dar novo gás aos confrontos no leste da Ucrânia.

O principal líder rebelde pró-Rússia disse que seus soldados estão preparados para o confronto e que não aceitará negociações de trégua com Kiev.

Alexander Zakharchenko afirmou que suas forças empurrariam a linha de frente da batalha novamente para as fronteiras da região de Donetsk. Atualmente, os insurgentes controlam a cidade de Donetsk.

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou as forças do governo ucraniano de bombardear "criminosamente" áreas civis. Ele disse que Kiev "ordenou o início de uma grande operação de combate" no front.

Horas antes, Zakharchenko disse que os rebeldes "não farão mais tentativas de negociações de cessar-fogo".

Ucrânia, Rússia, França e Alemanha pediram o fim dos confrontos.

Na quinta-feira (22), as forças do governo ucraniano se retiraram do terminal principal do aeroporto de Donetsk, em uma das mais duras batalhas ocorridas nas últimas semanas.

O governo disse que o Exército ainda detém o controle de partes do aeroporto, mas seis soldados morreram e 16 ficaram feridos.

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Ofensiva em larga escala

O governo ucraniano e seus aliados ocidentais dizem que soldados russos estão lutando ao lado dos separatistas, usando artilharia pesada e tanques russos. Moscou alega que só "voluntários" russos se juntaram aos rebeldes.

Zakharchenko afirmou que "atacaremos até as fronteiras da região de Donetsk, mas se eu vir uma ameaça vinda de outras direções, nós a neutralizaremos".

"Kiev não entende que podemos atacar em três direções simultaneamente", afirmou ele, segundo a mídia russa.

Mais de 5 mil pessoas foram mortas em confrontos desde que os rebeldes tomaram grandes porções das regiões de Donetsk e Luhansk em abril do ano passado, segundo inspetores da ONU. Mais de 1 milhão de pessoas foram desalojadas.

Um comunicado dos rebeldes nesta sexta-feira informou que o bombardeio das forças ucranianas em Donetsk e Horlivka deixou 16 civis mortos nas últimas 24 horas.

A Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês), confirmou que pelo menos oito civis morreram em uma explosão de artilharia em um ponto de ônibus em Donetsk. Os rebeldes e o governo trocaram acusações sobre o ataque, que deixou dezenas de feridos.

"É outro crime contra a humanidade, uma provocação óbvia que pretende sabotar o processo político pacífico", disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

Um porta-voz militar ucraniano, Andriy Lysenko, culpou uma equipe de artilharia rebelde, dizendo que a explosão estava "além do alcance da artilharia ucraniana deste tipo".

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'Ordens criminosas'

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Image caption Rebeldes e governo trocaram acusações sobre ataque a ponto de ônibus em Donetsk

Em Moscou, o presidente Putin disse ao conselho de segurança russo que a Ucrânia estava usando artilharia pesada, foguetes e ataques de aviões "indiscriminadamente em áreas densamente povoadas".

"Os responsáveis por isso são aqueles que dão estas ordens criminosas", disse, segundo a agência de notícias Interfax.

Ele afirmou que Kiev não respondeu de maneira coerente à sua proposta para a retirada de armas pesadas da zona de conflito.

O porta-voz militar rebelde Eduard Basurin disse que 24 soldados rebeldes foram mortos e 30 ficaram feridos nos últimos combates. Ele afirmou que estas foram as "perdas mais duras em nossos postos" em um período de 24 horas.

O chefe do Conselho de Defesa Ucraniano, Oleksandr Turchynov, confirmou na sexta-feira que os rebeldes deram início a uma ofensiva. "O inimigo não vai parar por nada", disse ele, acusando os rebeldes e as forças russas de bombardeios intensivos.

"Os grupos terroristas russos essencialmente violaram todos os acordo de cessar-fogo anteriores... e agora estão realizando operações ofensivas", disse. Segundo Kiev, 9 mil soldados russos estão lutando ao lado dos rebeldes.