Syriza: o partido que dá esperança e medo aos gregos

Alex Tsipras (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Líder do Syriza, Alex Tsipras promete reverter medidas de austeridade

Um grande retrato da revolucionária marxista Rosa Luxemburgo decora o escritório de Nikos Samanidis, um dos membros-fundadores da Coalizão da Esquerda Radical - ou Syriza, como o partido é conhecido entre os gregos.

O Syriza venceu as eleições gerais gregas deste domingo - em que concorreu contra o Nova Democracia, do primeiro-ministro Antonis Samaras - e deve se tornar o primeiro partido antiausteridade a tomar o poder na zona do euro.

Sua vitória não só lança um manto de incertezas sobre a relação da Grécia com a União Européia, como analistas acreditam que pode dar fôlego a outros partidos de extrema esquerda europeus (como o Podemos, na Espanha).

No que diz respeito a suas propostas, o Syriza não só se opõe ao resgate internacional da Grécia e às medidas de austeridade como quer renegociar parte da dívida externa grega.

Essas promessas têm gerado nervosismo nos mercados financeiros e já se especula sobre uma possível saída da Grécia da zona do euro.

Para o líder do partido, Alexis Tsipras, a vitória do Syriza representa o fim de um processo em que a Grécia estaria sendo "humilhada" por outros países europeus. "Vamos acabar essas ordens vindas do exterior", prometeu.

Mas também há quem anteveja períodos de maior turbulência para o país com a vitória do partido.

História

Nascido em 2004 como uma coalizão de treze grupos e partidos políticos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas, social-democratas e populistas de esquerda, o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012.

Em seus primeiros oito anos, a agremiação nunca conseguiu obter mais de 5% da preferência do eleitorado.

A popularidade de Tsipras, porém, parece ter sido impulsionada pela crise econômica que nos últimos cinco anos empurrou um quarto dos trabalhadores gregos para o desemprego.

Desde 2010 a Grécia vem implementando medidas como o aumento de impostos e cortes de gastos públicos, seguindo um script imposto pela União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu em troca de um pacote de resgate para sua economia.

Nas eleições gerais de 2012, com o aprofundamento da crise, o Syriza levou 27% dos votos, passando os sociais-democratas para se tornar a segunda força política da Grécia e a principal voz da oposição.

Direito de imagem Reuters
Image caption Para o primeiro-ministro Antonis Samaras a Grécia está no caminho da recuperação

Tsipras, um líder político jovem (tem 40 anos) e carismático, foi fundamental nessa transformação do Syriza.

Conhecido por seus discursos empolgantes e sua aversão a gravatas, ele assumiu a liderança do partido em 2008 e foi eleito para o Parlamento em 2009.

Carisma

"A crise econômica e o colapso dos partidos tradicionais certamente ajudaram a aumentar a influência do Syriza, mas foi Alexis Tsipras que catapultou o partido", opina Christoforos Vernardakis, professor de ciência política da Universidade Aristóteles de Salonica e fundador do instituto de pesquisas VPRC.

"Isso aconteceu porque Tsipras é jovem e parece não ter medo. Ele pegou uma esquerda que estava na defensiva e a transformou em uma opção crível para o governo."

Para seus simpatizantes, Tsipras é um líder nato, que trata com respeito quem está a seu redor. "Ele gosta de processos e decisões coletivas", diz Samanidis.

Nikos Karanikas, um velho amigo e colega de partido, diz que, apesar da ter se tornado um líder político proeminente, Tsipras continuou vivendo no bairro de classe média de Kypseli, em Atenas, e trabalhando como engenheiro civil.

Seus críticos, porém, costumam retratá-lo como um político arrogante, inexperiente e com fome de poder.

Notícias relacionadas