Fotógrafo registra bibliotecas mais fascinantes do mundo

Biblioteca Nacional da França, em Paris Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Nacional da França, em Paris

Em um conto de 1941, o escritor argentino Jorge Luis Borges, que também foi bibliotecário, falou sobre a Biblioteca de Babel, que continha todos os livros que já existiram e viriam a existir.

As fotografias do francês Franck Bohbot, radicado em Nova York, sugerem uma amplidão igualmente estonteante, com fileiras de prateleiras praticamente desaparecendo no infinito.

No projeto House of Books ("Casa dos Livros", em tradução livre), o fotógrafo eleva os espaços à categoria de templos do saber.

Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Vallicelliana, em Roma
Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Sainte Geneviève, em Paris

Edifícios públicos são especialmente atraentes para Bohbot, cujos projetos anteriores já se concentraram em registrar piscinas, teatros e estações de trem.

Leia mais: Dez palavras impossíveis de traduzir

Leia mais: Em um ano, escritora lê um livro de cada país do mundo

"Me interesso em fotografar os lugares onde o ser humano estuda, trabalha, se diverte e vive, independente de ser um ambiente comum ou espetacular", afirma.

"Como fotógrafo, acho interessante ter diferentes sujeitos e poder usar a mesma composição, as mesmas técnicas e a mesma paleta de cores em cada um", revela.

Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Interuniversitária da Sorbonne, em Paris
Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Nacional François Mitterrand, em Paris

Bohbot começou a fotografar bibliotecas em 2012. "A arquitetura desse tipo de lugar é muito poderosa", afirma.

Ele prefere retratar esses espaços quando eles estão fechados ao público. "O vazio dá a eles uma atmosfera atemporal e permite ao espectador imaginar o que pode acontecer ali", sugere o fotógrafo. "Eu também gosto do silêncio desses lugares".

Ao retratar edifícios, Bohbot não pretende fazer uma representação clínica da realidade. "A fotografia de arquitetura mudou muito nos últimos anos", decreta.

Leia mais: Os livros infantis são realmente inocentes?

"Claro que estou reportando algo, o que tenho à minha frente, mas gosto de sugerir um ambiente entre o documentário, a realidade e a ficção. Não uso HDR (Grande Alcance Dinâmico) nem novas técnicas digitais. A nitidez é importante, mas não tanto", conclui.

Direito de imagem Franck Bohbot
Image caption Biblioteca Pública de Boston, nos Estados Unidos

Bohbot admite ter uma "queda" pela Biblioteca Interuniversitária da Sorbonne, em Paris.

Esta foto reflete sua maneira de jogar com as cores. "Prefiro interiores amarelos e turquesas, mais quentes. Mas também gosto de criar minhas próprias cores com a luz disponível e com o cenário que tenho diante de mim".

Inicialmente, Bohbot se concentrou em bibliotecas em Paris e em Roma, mas ele pretende estender seu trabalho a outras partes do mundo. Entre os próximos prédios em sua lista está a Biblioteca do Congresso americano, em Washington.

"Levo muitos meses planejando uma sessão fotográfica quando obtenho a autorização necessária", explica.

Leia mais: Como 'O Senhor dos Anéis' virou um ícone da contracultura

Leia mais: Qual o verdadeiro significado dos contos de fadas?

Leia a versão original desta reportagem em inglês no site BBC Culture.