Vídeo anti-islâmico gera crise familiar dentro da extrema-direita francesa

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Image caption Vídeo postado por Marion Le Pen gerou crise familiar nas redes

Todos nós temos discordâncias em nossas famílias mas, felizmente, a maioria delas não chega às mídias sociais. Não é o caso com o clã Le Pen, que comanda o partido de extrema-direita francês Frente Nacional (FN).

Um desentendimento público entre uma jovem parlamentar da sigla e sua tia, líder do partido, tomou conta das redes sociais na França.

A FN foi fundada por Jean-Marie Le Pen, cuja filha, Marine Le Pen, é a atual líder. A próxima geração é Marion Marechal Le Pen, sobrinha de Marine e neta de Jean-Marie. Ela tinha apenas 22 anos quando foi eleita para o Parlamento francês - a parlamentar mais jovem do país na história moderna.

Mas esses três parentes nem sempre concordam um com o outro. No episódio mais recente, Marion desobedeceu ordens de sua tia e compartilhou um controverso vídeo anti-islâmico com seus milhares de seguidores no Twitter.

O vídeo foi postado por Aymeric Chauprade, outro político da FN. No vídeo, ele diz, entre outras coisas, que a França está em guerra com o Islã e que o argumento de que existe uma maioria muçulmana pacífica não se sustenta - já que a maioria dos alemães também era pacífica antes da chegada de Adolf Hitler ao poder.

O vídeo foi objeto de uma queixa apresentada pela organização SOS Racismo, de combate a esse tipo de discriminação. Marine Le Pen imediatamente se distanciou de Chauprade e pediu aos membros do partido que, por razões legais, não compartilhassem o material.

Porém, não só Marion Le Pen desobedeceu sua tia, como Jean-Marie Le Pen - para quem o Holocausto foi um pequeno detalhe da história e que já foi processado várias vezes por comentários anti-semitas - também postou o vídeo em seu Twitter.

Partidários da FN se dividiram sobre o vídeo nas mídias sociais. Alguns elogiaram Chauprade por ser corajoso: "Cara Marine", escreveu um usuário do Twitter, "Chauprade é quem está certo".

Mas outros criticaram o vídeo.

"#Chauprade é incrivelmente burro", tuitou um. "Ele usa argumentos que ligam o Islã ao nazismo."

Após os ataques recentes de extremistas islâmicos em Paris, comentaristas na França observaram que a FN ainda está tateando à procura de um tom certeiro para sua plataforma política. O apoio público às vítimas da revista Charlie Hebdo não se traduziu significativamente em mais apoio a Marine Le Pen.

Já o governo do socialista François Hollande recebeu um impulso de popularidade, segundo as pesquisas.