#SalaSocial: Funcionários da Petrobras se mobilizam online contra estigma

Crédito: Arquivo Pessoal Direito de imagem BBC World Service
Image caption Segundo Thelma Wiegert, movimento não tem caratér político ou institucional

Funcionários da Petrobras deram início a uma mobilização para expressar indignação e lutar contra o estigma causado pelo esquema de corrupção que assola a estatal.

Nas redes sociais, usando a hashtag #soupetrobras, empregados da petrolífera vêm postando, desde o início de quarta-feira, fotos de si mesmos segurando cartazes com a frase "sou melhor que isso #soupetrobras".

Até o momento, a iniciativa, criada por Thelma Wiegert e Priscila Norcia, funcionárias da área de comunicação da Petrobras, teve baixa adesão.

"O movimento iniciado por nós não tem nenhum caráter político nem institucional. Foi um movimento espontâneo. Queremos resgatar a credibilidade que foi roubada de todos nós, empregados, e todos os brasileiros. Queremos mostrar que a Petrobras não é só formada por gente envolvida em escândalos", diz Norcia à BBC Brasil.

"Assim como o restante da população, que acompanha revoltada a sucessão dos acontecimentos na empresa, nós, funcionários, também estamos descontentes com o que vem ocorrendo", acrescenta Wiegert.

Leia Mais: #SalaSocial: No Facebook, campanha do governo é acusada de ser machista

Em muitas das imagens, os funcionários aparecem fazendo careta.

"A careta é associada ao 'sou melhor que isso'. Queremos dizer que somos melhores do que uma coisa feia que é o que está aparecendo por aí. Temos conteúdo, uma história que quem olha para a cara feia não enxerga", explica Wiegert.

Segundo elas, a decisão de criar a mobilização foi tomada durante a troca da alta cúpula da Petrobras, ocorrida na semana passada.

Na quarta-feira passada, a então presidente da estatal, Graça Foster, e mais cinco diretores renunciaram a seus cargos. Dois dias depois, o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine foi escolhido para assumir a empresa.

"Decidimos assumir a voz da companhia, em um momento em que a empresa não se manifestava. A 'cara' que tem de aparecer é a do empregado, que constrói a Petrobras dia após dia", afirma Norcia.

"Quisemos mostrar a indignação e o valor dos funcionários da empresa", acrescenta Wiegert.

Leia Mais: #SalaSocial: "Verdade dói", diz colunista que ironizou pobres e planos de saúde

Estigma

Elas contam que, desde que o escândalo de corrupção na Petrobras veio à tona, em meio aos desdobramentos da chamada Operação Lava Jato, realizada pela Polícia Federal, os funcionários da estatal são alvos de estigma.

"Não raro, somos vítimas de insinuações de amigos ou conhecidos de que teríamos nos beneficiado desse esquema apenas por trabalhar na empresa, a ponto dessa situação ficar insustentável. A imensa maioria dos funcionários da Petrobras não compactua com o que ocorreu e quer expurgar essa mácula da imagem da companhia."

Outrora "porto seguro" do mercado financeiro, a Petrobras vem assistindo à queda no valor de suas ações, cotadas atualmente a menos de R$ 10, refletindo a desconfiança dos investidores em relação ao futuro da empresa.

Desde setembro do ano passado, a estatal já perdeu dois terços do seu valor de mercado. De maior empresa brasileira em valor de mercado, a Petrobras vale na bolsa hoje menos do que a Ambev, Itaú-Unibanco e Bradesco.

Além do esquema de corrupção, que teria envolvido diretores da empresa, empreiteiras e partidos políticos, a Petrobras sofre com o alto endividamento, o atraso na execução de projetos e com o preço do petróleo, perto de sua mínima histórica.

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Para Priscila Norcia, movimento quer mostrar indignação dos funcionários com corrupção na empresa