Após 'EI' destruir antiguidades, Iraque reabre museu fechado desde invasão americana

Credito: Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Alguns itens do museu não puderam ser saqueados durante a guerra

O Museu Nacional do Iraque foi reaberto oficialmente em Bagdá, 12 anos depois de ter sido fechado após a invasão ao país liderada pelos Estados Unidos.

Muitas das antiguidades roubadas durante a guerra já foram recuperadas e restauradas.

A abertura do museu foi antecipada em resposta a um vídeo do grupo atodenominado Estado Islâmico que mostrou estátuas sendo destruídas em outro museu do país, em Mosul.

Leia mais: Como saques e contrabando de antiguidades ajudam a financiar o 'EI'

O primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi prometeu punir os responsáveis.

"Esses bárbaros, terroristas criminosos estão tentando destruir o patrimônio da humanidade e da civilização do Iraque", disse Abadi durante a abertura do museu.

"Vamos perseguí-los para fazer com que paguem por cada gota de sangue derramada no Iraque e pela destruição da civilização do Iraque.''

Direito de imagem BBC World Service
Image caption Primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi inaugura oficialmente o museu
Direito de imagem BBC World Service
Image caption Esta obra data do século 8 A.C. - e há outras mais antigas no museu
Direito de imagem BBC World Service
Image caption Mesopotâmia desenvolveu escrita antes de outras civilizações
Direito de imagem BBC World Service
Image caption Cerca de um terço das 15 mil peças levadas foi recuperado

A Unesco pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir como proteger a herança cultural do Iraque.

O vice-ministro do Turismo e das Antiguidades iraquiano, Qais Hussein Rashid, disse à AFP que as ações do "Estado Islâmico" os estimulou a abrir o museu.

"Os eventos em Mosul nos levaram a acelerar nosso trabalho e queríamos abrir hoje como uma resposta ao que as gangues de Daesh fizeram", disse, usando um acrônimo em árabe para o "Estado Islâmico".

Leia mais: ONU denuncia drama de crianças vendidas pelo ‘EI’ como escravas sexuais

O Museu do Iraque estima que cerca de 15 mil itens tenham sido levados no caos que se seguiu à queda de Saddam Hussein. Quase um terço foi recuperado.

A coleção abrange 7 mil anos de história, incluindo o período da Mesopotâmia - como o Iraque foi chamado durante a maior parte da história humana -, considerado o berço da civilização.

A realidade moderna no Iraque é mais violenta. As áreas em torno de Bagdá continuam a vivenciar a violência diariamente - pelo menos 25 pessoas foram mortas em dois ataques separados ao norte da capital neste sábado.