Sanções americanas evidenciam preocupação crescente com Venezuela

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Image caption Ordem executiva assinada por Obama considera a Venezuela 'ameaça à segurança nacional'

Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira sanções contra ao menos sete autoridades venezuelanas, acusando-as de violações de direitos humanos, num indicativo de que a Casa Branca parece estar cada vez mais preocupada com a instabilidade política e econômica na Venezuela.

Os sancionados - entre eles o chefe da polícia do país - terão seus bens congelados e serão impedidos de realizar negócios com empresas americanas ou de viajar aos EUA.

Em ordem executiva, a Casa Branca se disse "profundamente preocupada com a intimidação de opositores políticos" por parte do governo venezuelano e declarou a Venezuela uma "ameaça à segurança nacional" americana.

Os duros termos do comunicado podem indicar que os EUA temam que a crise venezuelana impacte a América Latina de forma mais profunda, relata o correspondente da BBC Mundo em Washington, Thomas Sparrow.

"Os EUA estão particularmente afetados por sua disputa diplomática com Caracas num momento em que Washington tenta começar uma nova relação com Cuba e fomentar laços mais profundos com a América Latina", diz Sparrow.

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Para a agência Reuters, as sanções confirmam a Venezuela como "o adversário primário" dos EUA no continente, título até então dado a Cuba, com quem agora Washington tenta retomar os laços bilaterais.

Na semana passada, a Venezuela havia ordenado que os EUA reduzissem significativamente a equipe de sua embaixada no país.

Nesta segunda, em resposta às sanções, o país convocou seu enviado diplomático a Washington para "consultas".

Efeitos

A ordem executiva com as sanções é a mais dura reação americana contra Caracas desde a chegada ao poder de Nicolás Maduro, em 2013.

Mas Washington minimizou a linguagem de "ameaça à segurança nacional" adotada no documento, alegando se tratar de algo "padrão" para a adoção de sanções contra países.

Autoridades americanas disseram que a ordem executiva assinada pelo presidente Barack Obama não afetará a população ou a economia venezuelanas.

Em geral, os laços comerciais entre EUA e Venezuela ficaram praticamente inalterados pelas constantes desavenças diplomáticas bilaterais ocorridas desde o governo de Hugo Chávez. Os EUA são o principal parceiro comercial do país caribenho, e a Venezuela é uma das principais fornecedoras de petróleo à economia americana.

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O mais recente enfrentamento ocorre a apenas um mês do encontro previsto entre Obama e Maduro, na Cúpula das Américas, no Panamá, entre 10 e 11 de abril - que também terá a presença do presidente cubano, Raúl Castro.

Os EUA pediram a libertação de prisioneiros na Venezuela - em referência à detenção de estudantes e opositores, como o prefeito de Caracas Antonio Ledezma, que o governo venezuelano acusa de golpismo.

A ordem executiva de Obama ordena o congelamento de bens e contas bancárias nos EUA de sete autoridades venezuelanas, incluindo o ex-chefe da Guarda Nacional Antonio Benavides, o chefe de inteligência Gustavo González e o chefe da polícia nacional, Manuel Pérez.

O país latino-americano enfrenta uma grave crise, envolvendo instabilidade política, inflação alta, escassez de produtos e perda de receitas por conta da queda do preço internacional do petróleo.