Britânico combate estigma da violência doméstica contra homens

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Image caption Ken Gregory quer combater o estigma em torno de homens que sofrem violência doméstica

Depois de ser vítima de violência doméstica, o britânico Ken Gregory, de 65 anos, decidiu falar abertamente sobre seu caso para que outros homens não tenham vergonha de denunciar agressões semelhantes.

"Existe uma percepção de que homens como eu, mais velhos e não exatamente pequenos, não podem ser vítimas", explica Gregory.

Ele sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau em 14% de seu corpo em março do ano passado quando sua então mulher Teresa Gilbertson, de 60 anos, derrubou um bule de água quente nele.

"Foi uma dor insuportável. Nunca tinha sentido nada igual", afirma Gregory, que ficou com cicatrizes na cabeça e no torso.

Embora o caso de Gregory seja grave, episódios em que mulheres são agredidas por homens são muito mais comuns em todo o mundo.

Na Inglaterra e no País de Gales, houve 1,2 milhão de mulheres vítimas de violência doméstica em 2013, segundo a polícia, e 700 mil homens.

No Brasil, uma pesquisa do DataSenado em 2013 indica que mais de 13,5 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de agressão e cerca de 700 mil ainda convivem com o agressor. Cerca de 65% das mulheres foram agredidas por maridos, companheiros ou namorados. Não há estatísticas sobre a violência doméstica contra homens no país.

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No dia do ataque, Gregory pretendia visitar o túmulo de sua primeira esposa, com quem havia sido casado por 30 anos antes de ela morrer, por conta da data de aniversário dela.

Gregory acabou não indo ao cemitério. Em vez disso, acabou discutindo fortemente com Gilbertson, com quem estava casado havia sete anos. O casal havia decidido se divorciar.

Auge do abuso

Segundo ele, o ataque foi o auge de um histórico de abusos verbais e físicos cada vez mais intensos e frequentes.

Ele já havia sido hospitalizado algumas semanas antes depois que Gilbertson derramou chá quente sobre seu corpo enquanto Gregory dormia.

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Gilbertson foi julgada por uma corte da cidade de Peterborough, no leste da Inglaterra, onde o casal vivia.

Ela foi considerada culpada de lesão corporal grave e receberá sua sentença em 24 de março.

Gregory explica que decidiu falar sobre o abuso e mostrar suas cicatrizes para combater o estigma em torno de homens que foram vítimas de violência doméstica.

"Devemos passar a mesma mensagem que transmitimos às mulheres: não tenham medo, vocês não precisam aguentar isso."

Atenção: imagens fortes

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Image caption Gregory sofreu queimaduras de primeiro e segundo grau em 14% do corpo
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Image caption Ataque foi auge de histórico de abusos, afirma Gregory

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