De campeã de popularidade a 62% de rejeição: Seis momentos-chave no governo Dilma

Dilma Rousseff | Foto: Reuters Direito de imagem Reuters
Image caption Má opinião sobre o governo, segundo nova pesquisa, é a mais alta desde saída de Collor

No início de seu primeiro mandato, impulsionada pela fama de gestora competente e rigorosa contra a corrupção, a presidente Dilma Rousseff chegou a ter a maior aprovação de um mandatário brasileiro desde a redemocratização. Este cenário, no entanto, se inverteu drasticamente nos três primeiros meses do segundo governo Dilma. De acordo com uma pesquisa feita pelo instituto Datafolha e divulgada nesta quarta-feira, a reprovação de sua gestão chegou agora a 62%.

Em meio à crise econômica, a investigações sobre corrupção na Petrobras envolvendo altos escalões do governo, a relações estremecidas com o Congresso eleito em 2014 e a novos protestos, o governo enfrenta o desafio de recuperar a confiança da população pelos próximos três anos.

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Qual foi a trajetória que trouxe a presidente até aqui? Relembre os seis momentos-chave para a avaliação do governo Dilma na opinião pública:

Janeiro de 2012: 'Faxina ética' e maior aprovação desde redemocratização

De acordo com pesquisa de opinião pública do instituto Datafolha, a presidente Dilma Rousseff terminou seu primeiro ano de governo com 59% de aprovação, o maior índice para um presidente neste período desde a redemocratização. Em fevereiro, ela nomeou Graça Foster como presidente da Petrobras.

Em março, a pesquisa do CNI/Ibope indicou 63% de aprovação do governo e, para a presidente, um recorde de popularidade de 77%.

Após a queda de oito ministros em seu primeiro ano de mandato (Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelsom Jobim, Wagner Rossi, Pedro Novais, Orlando Silva, Carlos Lupi e Mário Negromonte) – sete deles envolvidos em denúncias de corrupção – a presidente ganhou a fama de promover uma "faxina ética" no governo. Na pesquisa do Datafolha, 72% disseram que a presidente parecia "decidida" e 70% a consideravam "sincera".

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Image caption Em pronunciamento otimista em 2012, Dilma anunciou redução de tarifas de energia e aumento da produção energética

Março de 2013: Otimismo e corte na tarifa de energia

Dois anos e três meses após seu início, o governo Dilma conseguiu o maior índice de aprovação na pesquisa de opinião pública do Datafolha: 65%. O maior crescimento, segundo o instituto, esteve na faixa das pessoas com renda familiar mensal de 10 salários mínimos ou mais.

Havia aumentado também o número dos que se diziam positivamente surpreendidos pelo governo da petista. Segundo os dados da pesquisa CNI/Ibope, a aprovação neste mês chegou a 79%, mais do que as de Lula e de FHC no mesmo período de seus primeiros mandatos.

Em janeiro daquele ano, a presidente aprovou a redução de 18% nas contas de energia elétrica para o consumidor doméstico e até 32% para a indústria. Em pronunciamento, ela afirmou que a produção de energia elétrica aumentaria constantemente no país.

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Junho de 2013: Protestos e queda vertiginosa

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Image caption Protestos em junho de 2013 se espalharam pelo Brasil e foram duramente reprimidos por polícias militares

O mês de junho foi marcado por uma forte onda de protestos em todo o Brasil, motivada inicialmente pelo aumento das tarifas de transporte público.

Aproveitando a realização da Copa das Confederações, milhares se manifestaram contra a corrupção, os gastos com a Copa do Mundo, as remoções de famílias para obras de infraestrutura e a baixa qualidade dos serviços públicos, em especial saúde e educação.

No dia 10 de junho, a pesquisa do Datafolha apresentava uma queda de oito pontos na aprovação da presidente, para 57%. Foi a primeira vez que o governo enfrentou uma queda tão grande de popularidade. No entanto, a queda na aprovação não foi acompanhada por um grande aumento da reprovação, que subiu de 7% para 9%.

O resultado era semelhante ao da pesquisa CNI/Ibope publicada dias depois, que registrava uma aprovação de 55% e uma reprovação de 13% ao governo.

Em 29 de junho, outra pesquisa do Datafolha registrou queda de mais 27 pontos na aprovação do governo, chegando a 30% – e a reprovação teve seu primeiro pico, de 25%.

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Junho/Julho de 2014: Oscilação pós-Copa e pré-eleições

O ano que se seguiu aos protestos foi turbulento e no início de 2014 as primeiras revelações da Operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção e pagamento de propinas na Petrobras, vieram à tona.

Apesar da realização bem-sucedida da Copa do Mundo, o atraso nas obras – especialmente as de infraestrutura – e a repressão aos protestos alimentaram questionamentos sobre o legado que o megaevento deixaria ao país.

Nesse cenário, a aprovação ao governo, que havia chegado a 36% em maio, segundo o Datafolha, caiu para 33% em junho. A reprovação, por outro lado, chegou a 28% dos entrevistados. Ainda de acordo com o levantamento do instituto, os brasileiros voltaram a ser pessimistas com relação ao aumento da inflação e do desemprego.

Para o CNI/Ibope, a aprovação ao governo petista caiu para 31% em junho e o percentual dos que o consideravam ruim ou péssimo chegou a 33%.

Em julho, após a Copa do Mundo e pouco antes do início oficial da campanha eleitoral, a popularidade do governo voltou a aumentar para 35%, segundo o Datafolha.

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Dezembro de 2014: O impacto da Lava Jato

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Image caption Operação que investiga corrupção na Petrobras prejudicou opinião pública sobre o Executivo

Após a reeleição, Dilma terminou o mandato com 42% de aprovação, a mesma registrada pelo Datafolha na semana em que ocorreu o segundo turno, no qual venceu Aécio Neves (PSDB) por 51,64% dos votos contra 48,36%.

A reprovação ao governo, no entanto, aumentou 4 pontos em relação à semana da eleição, e chegou a 24%.

Em novembro, na sétima fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu 85 mandatos de busca e apreensão e 14 dos 27 mandatos de prisão relacionados à investigação. Entre os presos estavam diretores de grandes empreiteiras e o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, apontado por delatores como um dos beneficiados na fraude.

Segundo o Datafolha, 68% dos brasileiros que responderam à pesquisa acreditavam que Dilma tinha alguma responsabilidade no esquema de corrupção da Petrobras.

A pesquisa do CNI/Ibope apontou a aprovação do governo em 40% e sua reprovação em 27% no mesmo período.

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Março de 2015: 'Fora Dilma' nas ruas

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Image caption Corrupção e crise econômica foram citados por manifestantes nas ruas em 2015

Em um cenário de crise econômica, de crise hídrica e ameaça de crise energética motivada pela forte seca e por problemas de infraestrutura, de ajustes fiscais e de promessas revertidas, como o aumento das tarifas de energia, a reprovação do governo Dilma chegou a 62%, de acordo com o Datafolha.

Em fevereiro, a presidente da Petrobras nomeada por Dilma, Graça Foster, deixou o cargo em meio a novas revelações sobre o impacto do esquema de corrupção nas finanças da empresa.

A pesquisa, realizada após novos protestos nas ruas contra a corrupção, indica que o segundo mandato da petista tem, hoje, a mais alta taxa de rejeição de um presidente desde setembro de 1992 – pouco antes do impeachment de Fernando Collor. O índice dos que consideram o governo bom ou ótimo caiu para 13%.

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