Piloto de avião que caiu estava trancado fora de cabine, diz jornal

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Image caption Local onde avião caiu é de difícil acesso; familiares devem chegar à região nesta quinta-feira

Um dos dois pilotos do avião da Germanwings que caiu nos Alpes franceses estava trancado fora da cabine, informou o jornal americano New York Times.

Os primeiros dados da caixa-preta com gravações do cockpit sugerem que o piloto tentou desesperadamente retornar à cabine, disseram fontes envolvidas na investigação ao jornal. Não está claro qual dos pilotos teria deixado a cabine.

O Airbus 320, que fazia o voo entre Barcelona e Duesseldorf, atingiu uma montanha na terça-feira após cair por 8 minutos. Todos os 150 passageiros e tripulantes morreram.

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"O homem do lado de fora bate levemente na porta da cabine e não há resposta. Depois, bate mais forte, sem resposta. Nunca há uma resposta. Você consegue ouvir que ele está tentando derrubar a porta", disse o investigador, descrevendo o áudio da gravação.

Uma fonte próxima à investigação deu relato similar à agência de notícias AFP.

Um alarme indicando proximidade do solo pode ser ouvido antes do momento do impacto, disse a fonte.

Pilotos

A Lufthansa não revelou a identidade dos pilotos, mas disse que o co-piloto foi empregado pela Germanwings em maio de 2013, logo depois de concluir seu treinamento, e tem 630 horas de voo.

Já o piloto, segundo a companhia, tinha mais de 6.000 horas de experiência de voo e pilotado aviões para a Luthansa e a Condor, antes de entrar para a Germanwings, em maio de 2014.

A Lufthansa não comentou as informações sobre a porta da cabine, mas disse que seus protocolos de procedimento seguem as regras estabelecidas pelas autoridades de segurança aérea da Alemanha.

Essas determinam que quando há dois pilotos no comando do avião, um pode deixar a cabine, mas apenas por um tempo mínimo.

O repórter de Negócios da BBC Theo Leggett diz que algumas companhias seguem a "regra de dois", que estabelece que quando um piloto deixa a cabine ele tem que ser substituído por um membro da tripulação.

David Kaminski-Morrow, editor para transporte aéreo do site Flightglobal, disse que uma porta de cockpit trancada pode ser aberta com um código.

"Mas do lado de dentro, no painel de controle, existe um interruptor que pode travar a porta", disse ele.

Ele citou o desastre aéreo envolvendo um avião da Mozambique Airlines na Namíbia, em 2013, em que se acredita que o piloto teria se trancado na cabine e causado a queda do avião.

'Cedo demais'

As informações não foram confirmadas oficialmente.

Na quarta-feira, o diretor da agência francesa de investigação aérea, Remi Jouty, disse esperar que investigadores pudessem ter "as primeiras ideias (das causas da queda) em dias", mas que uma análise completa levaria semanas ou até meses.

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Image caption Primeiros dados das gravações do voo sugerem que um dos pilotos estava fora da cabine, segundo o jornal NYT

"No atual estágio, claramente, não estamos na posição de ter a menor explicação ou interpretação das razões que podem ter levado esse avião a cair... ou as razões pelas quais não respondeu às tentativas de contato por controladores aéreos".

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Jouty negou informações de que a segunda caixa-preta, com os dados do voo, tivesse sido encontrada. Ele disse que o último contato da aeronave com o controle de tráfego aéreo foi uma mensagem de rotina.

O avião confirmou instruções para continuar em sua rota planejada mas, um minuto depois, iniciou sua queda.

Ele disse que controladores observaram o início da queda do avião e tentaram retomar contato com os pilotos, sem sucesso. Ele rejeitou a possibilidade de uma explosão, dizendo que o "avião voava corretamente".

Familiares

Familiares dos mortos visitarão o local da queda. A Lufthansa, empresa responsável pela Germanwings, fará dois voos especiais nesta quinta-feira - um de Barcelona e outro de Duesseldorf - até Marselha, de onde os grupos viajarão por terra até Meolans-Revels.

O diretor da Germanwings, Thomas Winkelmann, disse que 72 passageiros eram cidadãos alemães, incluindo 16 alunos de uma mesma escola que retornavam de um intercâmbio.

Um ônibus com 14 parentes das vítimas dos espanhóis deixou Barcelona na quarta-feira para a região da queda após terem se recusado a voar.

O governo da Espanha disse que 51 dos mortos eram espanhóis. As outras vítimas eram de Austrália, Argentina, Colômbia, Dinamarca, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Holanda, Israel, Irã, Japão, México e Venezuela.

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