Conheça desastres aéreos que podem ter sido provocados intencionalmente por pilotos

Voo da Egyptair
Image caption Em 1999, 217 pessoas morreram na queda do voo 990 da Egyptair perto de Nova York

As autoridades francesas que investigam a queda do voo U4 9525 da Germanwings acusaram o copiloto do Airbus A320, Andreas Lubitz, de ter deliberadamente causado o acidente que matou 150 pessoas na última terça-feira.

A acusação volta a lançar luz sobre um dos maiores temores de companhias aéreas e autoridades de segurança: o de desastres causados por quem deveria evitá-los.

Desde a década de 1980, há pelo menos cinco casos em que conclusões de investigadores apontaram para ações deliberadas de pilotos em quedas de aeronaves.

1. Voo 740, Mozambique Airlines (2013)

Em 29 de novembro de 2013, o voo TM740 partiu de Maputo, a capital de Moçambique, para Luanda, em Angola, mas caiu no parque nacional de Bwabwata, na Namíbia, matando todas as 33 pessoas a bordo. De acordo com a investigação oficial, o piloto do Embraer 190, João Abreu, lançou o avião deliberadamente contra o solo, aproveitando a ida do copiloto ao banheiro. Tanto Abreu quanto o copiloto haviam passado por avaliações psicológicas recentes.

Leia mais: Avião foi 'pulverizado' e resgate pode levar uma semana, dizem autoridades

2. Voo 990, EgyptAir (1999)

Trinta minutos depois de decolar de Nova York para o Cairo, em 31 de outubro de 1999, o Boeing 767 da EgyptAir caiu de 36 mil para 19 mil pés em apenas um minuto, uma descida violenta o suficiente para partir a aeronave em pedaços, que caíram no Atlântico. Todas as 217 pessoas a bordo morreram. A investigação das autoridades americanas mostrou que o piloto, Gamal al-Batouti, repetiu diversas vezes uma frase em árabe associada à proximidade da morte antes de o piloto automático ter sido desligado e o avião mergulhar dos céus. Uma análise dos destroços do leme sugeriu que Al-Batouti empurrara o manche de pilotagem para baixo enquanto o copiloto tentara puxar o seu para cima. As autoridades egípcias, porém, jamais aceitaram a conclusão das investigações.

3. Voo 182, SilkAir (1997)

Direito de imagem Thinkstock
Image caption O ATR 42 era o avião que fazia o voo 630 da Royal Air Maroc, em 1994

Outro caso controverso. Em 19 de dezembro de 1997, um Boeing 737-300 da companhia indonésia SilkAir que fazia a rota entre Jacarta e Cingapura, caiu no rio Musi, na Indonésia, matando as 104 pessoas a bordo. Duas investigações obtiveram resultados diferentes: a coordenada pelas autoridades indonésias concluiu que era impossível determinar a causa do acidente, mas autoridades de segurança aérea americanas acusaram o piloto de deliberadamente iniciar uma descida suicida quando o copiloto saiu da cabine. As suspeitas aumentaram porque a caixa-preta que grava as vozes no cockpit foi desligada durante o voo.

Leia mais: Acidente na França: voar está mais perigoso?

4. Voo 630, Royal Air Maroc (1994)

Apenas dez minutos depois de decolar de Agadir, no Marrocos, para Casablanca, o avião ATR 42 da Royal Air Maroc que levava 44 pessoas a bordo se espatifou nas Montanhas Atlas, perdendo altura subitamente quando estava a cerca 16 mil pés de altitude. A investigação determinou que o piloto automático teria sido desligado deliberadamente pelo piloto, Younes Khayati.

5. Voo 350, Japan Airlines (1982)

Em sua aproximação final para a aterrissagem no aeroporto de Haneda, em Tóquio, o DC-8 da Japan Airlines caiu no mar depois de seu capitão, Seiji Katagiri, deliberadamente ter revertido a potência dos motores em voo - procedimento usado para frear a aeronave no solo. O avião acabou atingindo a água numa velocidade relativamente lenta. Apenas 24 dos 166 passageiros a bordo morreram. O capitão sobreviveu e foi a julgamento, mas foi absolvido por insanidade.

Notícias relacionadas