Companhias mudam regras para voos não terem pessoa sozinha na cabine

(BBC)
Image caption Decisão foi motivada após suspeita de que avião acidentado nos Alpes teria sido derrubado por copiloto, que permaneceu sozinho no cockpit

Após o acidente envolvendo um avião da Germanwings, que caiu nos Alpes franceses na terça-feira, companhias aéreas operando na América do Norte e na Europa vão passar a exigir a presença de dois membros da tripulação dentro da cabine durante toda a duração de um voo.

A decisão foi motivada pela suspeita de que a aeronave, que ia de Barcelona (Espanha) a Dusseldorf (Alemanha), teria sido derrubada deliberadamente pelo copiloto. Segundo autoridades francesas, dados da caixa-preta indicam que o piloto deixou a cabine cerca de 30 minutos depois da decolagem e não conseguiu retornar à posição de comando. Ainda não se sabe por que isso aconteceu.

A companhia aérea de baixo custo Easyjet, inglesa, informou que exigirá a presença de dois tripulantes na cabine de todas as suas aeronaves durante toda a duração dos voos que operar, já a partir desta sexta-feira.

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A mudança ocorre depois que as empresas de aviação comercial britânicas foram solicitadas a rever os procedimentos após a queda do avião da Germanwings, com 150 pessoas a bordo.

A Autoridade de Aviação Civil (CAA, na sigla em inglês) disse, por meio de um comunicado, que continuará a "monitorar a situação" na medida em que mais detalhes da investigação surgirem.

A determinação da Easyjet foi seguida pelas companhias Air Canada, WestJet e Air Transat (Canadá); Norwegian Air Shuttle e Norwegian Jet (Noruega), além da Virgin Atlantic e da Thomas Cook (Grã-Bretanha)

O número tende a aumentar, porque autoridades de aviação civil do Reino Unido e do Canadá disseram que pedirão a todas as empresas de seus respectivos países a manter, sempre, dois tripulantes na cabine de comando.

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Avaliações médicas

A CAA informou também que solicitou a todos os operadores britânicos que revejam seus procedimentos.

Todos os pilotos atuando em companhias aéreas do país se submetem a avaliações médicas regulares e extensas para determinar sua capacidade para obter a permissão para voar, acrescentou a nota.

Segundo a entidade, examinadores foram solicitados a avaliar a saúde mental de pilotos comerciais a cada exame médico.

Na manhã desta quinta-feira, o promotor de Marselha (França) Brice Robin afirmou que o copiloto do avião acidentado da Germanwings, identificado como Andreas Lubitz, estava sozinho na cabine da aeronave no momento da queda.

O copiloto começou o procedimento de descida intencionalmente quando o piloto ficou trancado do lado de fora, disse ele.

Robin, citando informações obtidas por meio do registro de voz da "caixa-preta", disse que havia um "absoluto silêncio na cabine" enquanto o piloto tentava ganhar acesso ao local.

O local da tragédia, em uma região montanhosa remota, é agora cena de uma operação de resgate de grandes proporções.

O Airbus A320 atingiu uma montanha, matando todos os 144 passageiros e seis tripulantes a bordo, depois de descer por oito minutos.

A segunda caixa-preta ─ que registra os dados do voo ─ ainda não foi encontrada.