Acusado de fomentar violência, rei tribal pede calma na África do Sul

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Image caption Comentários do rei foram apontados como gatilho para a onda de violência xenófoba

Autor de comentários que teriam dado início a uma onda de violência xenófoba na África do Sul, o rei zulu Goodwill Zwelithini fará um discurso na manhã desta segunda-feira pedindo que os ataques cessem.

Os ataques, que mataram pelo menos sete pessoas, tiveram início após o rei tribal afirmar, há cerca de três semanas, que estrangeiros deveriam "voltar para seus países". No mesmo discurso, ele pareceu insinuar que estrangeiros seriam responsáveis por "ruas imundas" e aumento da criminalidade.

Mais de 300 pessoas foram presas devido aos distúrbios na semana passada. Grupos armados atacaram e saquearam lojas pertencentes a imigrantes de outros países africanos.

À declaração do rei somou-se a insatisfação dos sul-africanos com a alta taxa de desemprego no país e a crença de que estrangeiros estariam roubando empregos domésticos.

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Milhares de pessoas são aguardadas em um estádio em Durban para ouvir o discurso do rei Zwelithini.

Apesar de a África do Sul não ser uma monarquia, a Constituição do país reconhece o papel de reis tradicionais como Zwelithini, da etnia zulu.

De acordo com o governo do país, eles têm atuação restrita a suas comunidades e trabalham com o governo principalmente em temas de desenvolvimento rural.

Zwelithini afirma que seus comentários foram distorcidos. No sábado, segundo a rede eNCA - citada pela agência de notícias Reuters - , ele afirmou que, para quem estivesse esperando ordens suas para atacar pessoas, a resposta era "não".

O rei também irá participar de uma reunião com outros líderes tribais para pedir calma.

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Image caption Milhares de estrangeiros deixaram o país ou foram para campos de refugiados
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Image caption Governos de países africanos anunciaram planos de evacuação

Entre os detidos estão três homens suspeitos de ligação com o assassinato de um cidadão moçambicano em Alexandra, um município em Joanesburgo.

Fotografias mostraram Emmanuel Sithole sendo esfaqueado até a morte em plena luz do dia.

Desemprego

O presidente sul-africano, Jacob Zuma - também de origem zulu - disse que a onda de ataques "vai contra tudo o que acreditamos".

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Com taxa de desemprego em 24%, muitos sul-africanos acusam estrangeiros de tirar os empregos dos habitantes locais.

Milhares de estrangeiros fugiram de suas casas e se abrigaram em campos improvisados. Países vizinhos anunciaram planos para evacuar cidadãos.

Dados oficiais sugerem que existem cerca de dois milhões de cidadãos estrangeiros na África do Sul, mas algumas estimativas indicam um número muito mais elevado.

Em 2008, uma outra onda de violência xenófoba deixou pelo menos 67 pessoas mortas.

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