Búfalos, porcos e galinhas também aguardam resgate no Nepal

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Image caption A ONG tem como preocupação específica o bem-estar de animais em zonas de desastre

Uma equipe de resgate iniciará na quinta-feira seu trabalho assistencial no Nepal, país atingido no sábado por um terremoto de magnitude 7.9 que até agora matou mais de 4 mil pessoas.

Pode parecer atraso na chegada, mas o momento é providencial: a ONG internacional World Animal Protection foca seu trabalho no bem-estar de animais em zonas de desastre.

Por isso, evita cruzar o caminho dos esforços humanitários, sobretudo nas primeiras horas após terremotos ou tufões, cruciais na busca de sobreviventes.

Sacrifícios

Isso apesar de a ONG argumentar que seu trabalho tem importância direta para as vidas de pessoas afetadas por catástrofes.

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"Animais são mais presentes na vida das pessoas do que muita gente imagina. Para muitas pessoas, por exemplo, são como membros da família. E num país como o Nepal, em que 70% das pessoas trabalham no setor agrícola, animais envolvidos na produção de alimentos têm uma importância fundamental para a economia", afirma o britânico James Sawyer, diretor internacional para o gerenciamento de desastres da World Animal Protection, em entrevista à BBC Brasil.

Para ilustrar a importância da empreitada, Sawyer conta uma história que presenciou durante os esforços de resgate após o terremoto que em 2005 matou mais de 85 mil pessoas na Caxemira, região disputada por Índia e Paquistão.

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Image caption World Animal Protection chega a zonas de desastre depois das agências de trabalho humanitário

"Encontramos pessoas praticamente dormindo sobre a neve enquanto o que havia de abrigo estava reservado a animais e rebanhos. Quando perguntamos a razão, as pessoas simplesmente responderam que a chance de sobrevivência delas cairia drasticamente sem os animais. E este é o ponto que sempre tentamos reforçar quando pedimos apoio financeiro ou logístico. As pessoas usam os animais como moeda e também precisam deles para se alimentar ou se locomover", acrescenta.

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Segundo a ONG, 30% dos rebanhos do país morreram no terremoto, mas seus veterinários salvaram 25 mil animais, de bois a cães.

A partir de quarta-feira, uma equipe da ONG estará no Nepal, um dos países mais pobres do mundo, para avaliar o impacto do terremoto sobre os animais. Clínicas itinerantes serão instaladas nas principais regiões, oferecendo serviços básicos como primeiros-socorros e vacinações, já que a transmissão de doenças costuma ser uma das consequências de desastres naturais.

Diplomas

A equipe levará também suprimentos de água e rações para os animais.

Haverá ainda um trabalho de consultoria para o gerenciamento de rebanhos, algo importante no país: estima-se que mais de 85% dos cerca de 30 milhões de habitantes tenham algum tipo de criação de animal em casa - de galinhas a búfalos.

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Image caption Animais domésticos também recebem a atenção, sobretudo para evitar possíveis doenças

Trata-se de uma das maiores densidades populacionais animais do mundo - 5,8 por domicílio.

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"Para muitas famílias, a criação de animais é uma fonte importantíssima de renda", conta Sawyer.

"Em 2013, por exemplo, o furacão Haiyan arrasou partes das Filipinas e destruiu inúmeros barcos de pesca. Conheci um pescador que, mesmo depois de perder sua principal fonte de renda, conseguiu mandar a filha para a universidade porque criava porcos. Ele disse que os suínos tinham garantido o diploma da menina."

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